domingo, 29 de abril de 2018

Regredindo

Por um momento eu fui lá, me coloquei em posição de guerreira, subi um degrau e meio, mas caí 3 degraus.
Em Dezembro esse blog completa dez anos.
De adolescente frustrada e acima do peso passei pela fase da pós-adulta magra com seus porres, mas claro, sempre se achando gorda. E agora sou aquela pessoa que engordou 30kgs em dois anos, está viciada em Morfina, Clonazepam e uma série de outros remédios, as drogas legais, que eu consigo de forma não legal.

Pois é.... Morfina... como eu cheguei nesse ponto? Eu não sei. Tá tudo embaralhado aqui na minha mente. Mas foi usada primeiramente para o fim certo, da forma certa, mas lembro que a sensação nunca tinha sentido. Fui atrás de mais, e mais, e de repente foi-se dinheiro, dignidade e saúde. Agora tenho conversado com minha mãe e com minha "terapeuta voluntária" sobre internação. Nada certo, até porque ainda preciso acompanhar minha mãe em consultas, ela não está 100% curada e precisa de mim. Eu sei, eu sei, que desse jeito não vou ajudar ninguém, mas tenho medo de deixar ela sozinha, medo de me internar....



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Acordei

Tudo bem que foi depois de engordar uns 30kgs ou 40kgs, ou mais, me atrevo a dizer, a afirmar, engordei uns 50kgs. E agora? 
Como eu disse pra uma amiga: Eu sou a gorda que vocês usam de imagem para não engordar.

Mas aí um gatilho, outro gatilho e PAH! Tiro. Caí em mim. Deixei de seguir, no Instagram, perfis que defendem a livre gordura e percebi o quê eu realmente quero ser, e quero ser assim:


Meus gatilhos, além de me olhar bem no espelho, foram esses:


Eu tô triste por motivos pessoais que vão além do peso, e percebi que a bulimia, enquanto eu não a mantive afastada, me blindou de algumas coisas, ocupava minha mente, ao invés disso tudo que vem me atormentando. Wanna Be, era assim que chamávamos as gordas em busca de um TA da magreza. Virei Wanna Be.

Esse ano, láááá em Dezembro, o blog completa 10 anos. Mas eu tinha outro antes dele. Eu quero ser a Marcy que eu era até 2011.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Calmantes, recaída, ansiedade, cortes, compulsões

Já peço desculpas se houver algum erro de gramática, tomei alguns calmantes.

Uma briga findou minha semana. Minha prima vai embora com minha sobrinha na segunda. Minha mãe me disse "ou ela ou ela", sobre a minha prima, que surtou, tanto quanto a minha mãe estava surtada. Eu vi uma jovem mãe ameaçando a filha que nem completou dois anos, eu tive que ir dizer aquilo que minha mãe não teve coragem de dizer: "Tu fala com as tuas irmãs pra ver se tu pode voltar pra lá, aqui não dá mais." E as malas estão sendo feitas. Cês tem noção que essa criança passou mais tempo da vida dela comigo do que com a mãe biológica? (Fins de semana na casa do namorado, saídas sem explicação, 4 meses trabalhando, ou 6, não lembro, saídas com namorado depois do trabalho, etc.) Quem viu ela engatinhar pela primeira vez fui eu, quem viu ela caminhar pela primeira vez fui eu, quem filmou ela caminhando pela primeira vez fui eu, quem ouviu ela dizendo "vovó", a primeira palavra, fui eu (e minha mãe). Agora eu mesma estou tirando da minha vida uma das melhores coisas dela, talvez a melhor.


Tive uma recaída que eu achei que nunca mais teria... cortes.
Falando neles, em algum momento o médico vai ter que me liberar de ficar 24 horas com minha mãe e eu vou ter que procurar emprego. Você me contrataria com esse braço?
(Além de ter a grossura de uma perna, percebam as cicatrizes. Abaixo um pedaço do meu joelho.)

A compulsão alimentar nem sei se foi embora pra precisar voltar. 

Eu queria ter coragem de mostrar meu rosto, a cara da covardia aqui, mas tenho medo, pela minha mãe, por qualquer pessoa que tenha algum sentimento por mim.

Tenho cansado de ser forte.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Vinho no meio da tarde

Pensando seriamente em tomar um Alprazolam logo mais pra relaxar.
Eu não tenho tanto motivo pra reclamar. Eu tenho um teto, às vezes eu tenho um lar. Quando não estão todos brigados e metade dopados (essa metade somos eu e minha mãe, ainda que eu sei que a mão do nenê humano que temos aqui toma gotas de Clonazepam de quando em vez).
Como os remédios se mostraram um tanto quanto perigosos para mim, tenho apostado no álcool como escape. Não me pergunte onde eu vou parar, eu estou tentando. Acreditem. Estou vendo que se eu virar o lado podre da laranja, ainda tem um lado conservado e bom, mas tem dias que são mais difíceis que outros. Eu vejo uma possibilidade de cura, um novo caminho, entretanto, sei que nada vai ser de um dia para o outro.




domingo, 15 de outubro de 2017

Cerveja com Clonazepam

É o que acabei de tomar enquanto aquecia minha lasanha, antes das 10 da manhã. Para ver se algo pára essa compulsão alimentar que há dois dias vem me matando. OK, faltam cinco dias para a minha menstruação vir, eu tenho 26, pode ser TPM, mas não é só isso. É a soma de todos os problemas que venho enfrentando.

No meio dessa após me sentir usada e muito burra, peguei uma coisa qualquer laminada e me risquei, enquanto via a tinta vermelha brotar de cada risco feito. Agora um destes riscos abriu e está cheio de pus, parecendo, desculpe a comparação, uma vulva infeccionada.

Me dei conta que no último ano me comprometi com coisas que não me competem, como um bebê de uma irresponsável, mas agora é muito amor envolvido para desapegar, eu já vejo essa criança indo para a terapia se o abandono da tia que ela chama de mamarcy enquanto a mãe grita com ela, imagina se agora, perto de completar dois anos, for abandonada pela tia Marcy, a mamarcy. Mas a carga de stress que isso gera é absurda, menos pela criança, mais pela mãe dela que tem sido um embuste e mora aqui.
Ah, se eu soubesse que engordaria e viraria uma dona de casa deprimida, que mal cumpre a tarefa de cuidar da mãe adoecida, eu não teria gasto dinheiro inciando uma faculdade que não terminei, com livros que não usei e etc.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Finalmente

Atingi aquele nível em que não se sente nada na maioria do tempo. Claro que existem os momentos de pânico, ansiedade e afins, mas na maioria do tempo eu me sinto pronta pra ir. Só quero dormir, não consigo me concentrar em nada, mas penso na morte, vejo-a como um anjo vestindo uma túnica branca estendendo a mão para mim. Convenci minha mãe de que estou doente fisicamente, assim como ela, então fico deitada planejando a minha morte. 
Acabei de deixar nesse Notebook uma carta pra ela, mas precisaria de um guardião para guardar, mas aqui um ponto que eu preciso ressaltar:
"Não houve dor nem arrependimento final, pois o arrependimento vinha todo dia, quando eu não tinha coragem de fazer."

Tenho bebidas, remédios e poucos amigos. Sinto um vazio indescritível.
Eu quase chorei ouvindo uma música do Oswaldo Montenegro, mas não por esperança, que é o que aquilo tudo traz, mas por tristeza de não ter a esperança de que algum dia, a dor vai passar, como diz a música dele.



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Quem é vivo sempre aparece...

Mas afinal, eu tô mesmo viva?
Numa conversa com a minha consciência e com o cara lá de cima, concluí que todas as coisas ruins que tinham pra acontecer já aconteceram, mais do que isso, eu não suportaria.
Quis morrer, quis me matar, quis matar, quis perdão.
Quase perdi minha mãe. De novo, Marcy? Sim. O psiquiatra dela achou inevitável a internação dela numa instituição psiquiátrica. Foram os dez piores dias da minha vida. No décimo primeiro fui lá pedir a alta dela, que estava visivelmente sofrendo lá, com hematomas pelo corpo e cianótica. Trouxe ela para casa, alimentei ela e fui trabalhar (trabalhei dentro de uma academia). Quando cheguei, de táxi, depois de uma ligação histérica da minha prima, chamei a SAMU. Segundo a minha prima ela estava a mais ou menos uma hora "daquele jeito". Aquele jeito era uma crise convulsiva por hipoglicemia, sim, ela é diabética. Glicose por várias vias, uma artéria furada, sangue no chão. Fomos dormir. No dia seguinte ela acordou com alucinações e vomitando, fomos para o hospital, dessa vez uma Emergência Médica. Colocaram uma pulseira vermelha nela e a levaram de cadeira de rodas para uma ala onde eu não poderia entrar, ainda.
Depois de algumas horas o médico me chamou. Exames prontos. FALÊNCIA RENAL e desidratação. Quando ele disse falência renal eu acho que não senti minha pernas e me apoiei com os braços em algum lugar, fingindo calma. E eu pedi demissão, não tinha cabeça para mais nada.
Cerca de duas semanas depois ela saiu de lá. Ela ainda está debilitada, eu vejo ela ter dias bons e dias em que peço mentalmente para que ela acorde no dia seguinte e não morra tão cedo, porque como eu disse pra Deus, isso seria demais pra mim.

Problemas com minha prima. Caí da escada de uma casa noturna podre de bêbada e fiquei com as minhas pernas inutilizadas por alguns dias. Amigos se perdendo, outras amizades se reforçando.
Eu tenho tido dias muito difíceis, pesados, às vezes só queria dormir por quinze dias ou mais.