sábado, 25 de agosto de 2018

| Tratamento, prima, mãe, psiquiatras |


chegar em um ponto da via em que não há sonhos ou esperança, sou movida, na maior parte do tempo, por raiva ou desespero. 
Minha última postagem foi em Abril, desde lá passei por nuitas coisas. Procurei ajuda, comecei a tratar meu vício, minha mãe foi internada em uma unidade psiquiátrica por dez dias, precisei falar que iria denunciar minha prima que mora comigo para ela parar de dar tapas na filha dela de dois anos e meio, que também mor conosco. Eu sempre me entendi bem com a minha mãe e adoro a pequena, mas minha prima é uma pessoa sem sentimento, sem consideração, está há quase dois anos sem trabalhar, é sustentada pela minha mãe e não mostra vontade alguma de trabalhar. Quando minha ficha caiu era tarde demais, ela já tinha tomado conta do apartamento, do quarto da minha mãe, do roupeiro e tudo mais. Na verdade foi quando comecei a ficar sem Morfina, e depois a minha psiquiatra, muito sincera, me disse que minha vida não mudaria, nem a da minha mãe, enquanto o ambiente em que vivemos não mudasse, e logo depois, minha mãe teve um surto, que segundo os médicos, teve como gatilho uma discussão que ela teve com  a minha prima, que convenientemente esperou eu sair de casa num domingo de tarde para judiar da criança e tentar crescer pra cima da minha mãe. Cinco, 5 diferentes psiquiatras (a minha, 3 que cuidaram da minha mãe no hospital e o que trata ela no ambulátorio) me/nos aconselhara a pedir para a mina prima ir embora, afinal ela tem pai, casa e duas irmãs, mas não quer ficar lá porque é interior e a segunda prioridade dela que é o namorado (a primeira é o celular), mora em uma cidade da região metropolitana. Eu não sei mais o que fazer, não sei se alguém já passou por algo do tipo, não sei como lidar com a chantagem que ela faz usando a criança e com o medo de que, saindo daqui, ela voltará a receber tapas diariamente. O pai da criança é tão ruim quanto a minha prima, e gostando ou não, é a adulta de referência dela, então não é viável a coitadinha ir para um abrigo. Meu plano é esperar a criança ter mais discernimento e aprender a falar melhor para se defender. Por enquanto ela ainda não consegue explicar direito as coisas, só consegue falar, por exemplo, "nenê chorou", "mamãe fez pá no bumbum do nenê", (pá sendo o tapa), e então, quando a criança conseguir explicar melhor e inclusive pedir ajuda se necessário, ou a explicar para alguém que gostaria de ficar aqui ou com as tias no interior, aí sim, acho que vou ter coragem para dizer que não quero mais minha prima aqui. A excessão é se ela engravidar de novo, se isso acontecer minha mãe disse que vai dar um pequeno prazo pra ela levar tudo para casa do namorado. "Nossa Marcy, pra quê pensar assim?" Porque tem mais de uma semana que o anticoncepcional dela acabou e ela nem quis comprar outro. Como quando ela engravidou da pequena, dizendo que sabia se cuidar.

Essa tá sendo minha vida, refém no apartamento onde eu costumava ser livre.


domingo, 29 de abril de 2018

Regredindo

Por um momento eu fui lá, me coloquei em posição de guerreira, subi um degrau e meio, mas caí 3 degraus.
Em Dezembro esse blog completa dez anos.
De adolescente frustrada e acima do peso passei pela fase da pós-adulta magra com seus porres, mas claro, sempre se achando gorda. E agora sou aquela pessoa que engordou 30kgs em dois anos, está viciada em Morfina, Clonazepam e uma série de outros remédios, as drogas legais, que eu consigo de forma não legal.

Pois é.... Morfina... como eu cheguei nesse ponto? Eu não sei. Tá tudo embaralhado aqui na minha mente. Mas foi usada primeiramente para o fim certo, da forma certa, mas lembro que a sensação nunca tinha sentido. Fui atrás de mais, e mais, e de repente foi-se dinheiro, dignidade e saúde. Agora tenho conversado com minha mãe e com minha "terapeuta voluntária" sobre internação. Nada certo, até porque ainda preciso acompanhar minha mãe em consultas, ela não está 100% curada e precisa de mim. Eu sei, eu sei, que desse jeito não vou ajudar ninguém, mas tenho medo de deixar ela sozinha, medo de me internar....



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Acordei

Tudo bem que foi depois de engordar uns 30kgs ou 40kgs, ou mais, me atrevo a dizer, a afirmar, engordei uns 50kgs. E agora? 
Como eu disse pra uma amiga: Eu sou a gorda que vocês usam de imagem para não engordar.

Mas aí um gatilho, outro gatilho e PAH! Tiro. Caí em mim. Deixei de seguir, no Instagram, perfis que defendem a livre gordura e percebi o quê eu realmente quero ser, e quero ser assim:


Meus gatilhos, além de me olhar bem no espelho, foram esses:


Eu tô triste por motivos pessoais que vão além do peso, e percebi que a bulimia, enquanto eu não a mantive afastada, me blindou de algumas coisas, ocupava minha mente, ao invés disso tudo que vem me atormentando. Wanna Be, era assim que chamávamos as gordas em busca de um TA da magreza. Virei Wanna Be.

Esse ano, láááá em Dezembro, o blog completa 10 anos. Mas eu tinha outro antes dele. Eu quero ser a Marcy que eu era até 2011.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Calmantes, recaída, ansiedade, cortes, compulsões

Já peço desculpas se houver algum erro de gramática, tomei alguns calmantes.

Uma briga findou minha semana. Minha prima vai embora com minha sobrinha na segunda. Minha mãe me disse "ou ela ou ela", sobre a minha prima, que surtou, tanto quanto a minha mãe estava surtada. Eu vi uma jovem mãe ameaçando a filha que nem completou dois anos, eu tive que ir dizer aquilo que minha mãe não teve coragem de dizer: "Tu fala com as tuas irmãs pra ver se tu pode voltar pra lá, aqui não dá mais." E as malas estão sendo feitas. Cês tem noção que essa criança passou mais tempo da vida dela comigo do que com a mãe biológica? (Fins de semana na casa do namorado, saídas sem explicação, 4 meses trabalhando, ou 6, não lembro, saídas com namorado depois do trabalho, etc.) Quem viu ela engatinhar pela primeira vez fui eu, quem viu ela caminhar pela primeira vez fui eu, quem filmou ela caminhando pela primeira vez fui eu, quem ouviu ela dizendo "vovó", a primeira palavra, fui eu (e minha mãe). Agora eu mesma estou tirando da minha vida uma das melhores coisas dela, talvez a melhor.


Tive uma recaída que eu achei que nunca mais teria... cortes.
Falando neles, em algum momento o médico vai ter que me liberar de ficar 24 horas com minha mãe e eu vou ter que procurar emprego. Você me contrataria com esse braço?
(Além de ter a grossura de uma perna, percebam as cicatrizes. Abaixo um pedaço do meu joelho.)

A compulsão alimentar nem sei se foi embora pra precisar voltar. 

Eu queria ter coragem de mostrar meu rosto, a cara da covardia aqui, mas tenho medo, pela minha mãe, por qualquer pessoa que tenha algum sentimento por mim.

Tenho cansado de ser forte.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Vinho no meio da tarde

Pensando seriamente em tomar um Alprazolam logo mais pra relaxar.
Eu não tenho tanto motivo pra reclamar. Eu tenho um teto, às vezes eu tenho um lar. Quando não estão todos brigados e metade dopados (essa metade somos eu e minha mãe, ainda que eu sei que a mão do nenê humano que temos aqui toma gotas de Clonazepam de quando em vez).
Como os remédios se mostraram um tanto quanto perigosos para mim, tenho apostado no álcool como escape. Não me pergunte onde eu vou parar, eu estou tentando. Acreditem. Estou vendo que se eu virar o lado podre da laranja, ainda tem um lado conservado e bom, mas tem dias que são mais difíceis que outros. Eu vejo uma possibilidade de cura, um novo caminho, entretanto, sei que nada vai ser de um dia para o outro.




domingo, 15 de outubro de 2017

Cerveja com Clonazepam

É o que acabei de tomar enquanto aquecia minha lasanha, antes das 10 da manhã. Para ver se algo pára essa compulsão alimentar que há dois dias vem me matando. OK, faltam cinco dias para a minha menstruação vir, eu tenho 26, pode ser TPM, mas não é só isso. É a soma de todos os problemas que venho enfrentando.

No meio dessa após me sentir usada e muito burra, peguei uma coisa qualquer laminada e me risquei, enquanto via a tinta vermelha brotar de cada risco feito. Agora um destes riscos abriu e está cheio de pus, parecendo, desculpe a comparação, uma vulva infeccionada.

Me dei conta que no último ano me comprometi com coisas que não me competem, como um bebê de uma irresponsável, mas agora é muito amor envolvido para desapegar, eu já vejo essa criança indo para a terapia se o abandono da tia que ela chama de mamarcy enquanto a mãe grita com ela, imagina se agora, perto de completar dois anos, for abandonada pela tia Marcy, a mamarcy. Mas a carga de stress que isso gera é absurda, menos pela criança, mais pela mãe dela que tem sido um embuste e mora aqui.
Ah, se eu soubesse que engordaria e viraria uma dona de casa deprimida, que mal cumpre a tarefa de cuidar da mãe adoecida, eu não teria gasto dinheiro inciando uma faculdade que não terminei, com livros que não usei e etc.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Finalmente

Atingi aquele nível em que não se sente nada na maioria do tempo. Claro que existem os momentos de pânico, ansiedade e afins, mas na maioria do tempo eu me sinto pronta pra ir. Só quero dormir, não consigo me concentrar em nada, mas penso na morte, vejo-a como um anjo vestindo uma túnica branca estendendo a mão para mim. Convenci minha mãe de que estou doente fisicamente, assim como ela, então fico deitada planejando a minha morte. 
Acabei de deixar nesse Notebook uma carta pra ela, mas precisaria de um guardião para guardar, mas aqui um ponto que eu preciso ressaltar:
"Não houve dor nem arrependimento final, pois o arrependimento vinha todo dia, quando eu não tinha coragem de fazer."

Tenho bebidas, remédios e poucos amigos. Sinto um vazio indescritível.
Eu quase chorei ouvindo uma música do Oswaldo Montenegro, mas não por esperança, que é o que aquilo tudo traz, mas por tristeza de não ter a esperança de que algum dia, a dor vai passar, como diz a música dele.