sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Preparando-me para a despedida.


Bobagem para alguns. Mas semana que vem meus cachorros serão levados para a veterinária, a fim de serem adotados por outras famílias. Meu Deus, eu sei que eu não sou uma boa filha, e pelo que parece, eu não represento muito aí em cima, mas não por mim, por seis criaturas inocentes, façam com que eles encontrem lares bons, e sejam amados, e encontrem logo. Eles eram pra mim como filhos. Eu embalava-os até eles dormirem, sei que eles sentirão minha falta também, e isso é o que mais dói.

Mas sei que eles encontrarão um lar feliz.
Eu ficarei com uma cadelinha. Queria ficar com todos.
Eles fizeram meus dias mais felizes, foram minha companhia quando eu estava sozinha na noite de natal, me deram muitas lambidas no rosto, demonstraram que um animal é que ama de verdade, o ser humano, é só o mais impuro dos seres.

No outro blog já disse, e vou repetir agora... Por que eu gosto tanto de animais, e os aprecio mais do que as pessoas? Por que eles não são falsos. Se gostam de ti, gostam de verdade, demonstram, brincam. Se não gostam, demonstram. Se não querem brincar, simplesmente vão para um canto, não reagem a tua tentativa. Já as pessoas, são falsas, querem agradar, quando não estão a fim de conversa às vezes magoam. Eu inclusive, sou assim.

Nunca esquecerei o cheiro gostoso do hálito deles, quando eles lambiam meu nariz.

Mas tudo passa, e eles serão felizes.



terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Finalmente!

Perdi a paciência com a minha tia. AIII QUE ALÍVIO! Mas calma, nada de baixaria, por favor! Vou lhes contar como tirei um peso das minhas costas.
Essa minha tia, além de se meter aqui em casa, fuçar nas coisas, abrir a porta do meu quarto sem bater, ela retirou roupas da minha vó que estava na máquina de lavar da minha mãe e levou pra casa dela(ela mora na frente). Isso irritou bastante a minha mãe, mas como ela só vem aqui fuçar quando a minha mãe está trabalhando, minha mãe não teve a chance de pegá-la e falar-lhe umas boas. Domingo no fim da tarde minha mãe foi trabalhar, e eu tinha que ir na padaria. Como eu sabia que quando eu saísse ela iria vir aqui, deixei o seguinte bilhete em cima da máquina de lavar roupas: ‘FAVOR NÃO TIRAR ROUPAS DA NOSSA MÁQUINA. NUNCA TIRAMOS DA SUA. OBRIGADA.’ E vejam só, quando eu cheguei da padaria, aqui estava minha tia, perguntando se fui eu ou minha mãe quem havia deixado aquele bilhete, que ela classificou de desaforado. Resumindo, falei que a minha mãe não vinha gostando de chegar em casa e ver as roupas na casa dela. Ela quis falar alto e discutir, e eu disse elegantemente: ‘Eu não vou ficar batendo boca aqui.’ Ela encheu os olhos de água, bancando a vítima, me chamou de mal educada(o bilhete foi mal educado?) e blábláblá... E eu, me senti mais leve. Juro, até as minhas compulsões piores diminuíram. Tirei algo do meu peito. Minha mãe gostou. E até agora a minha tia não chegou nos olhos da minha mãe. Isso me lembrou a infância, quando eu tinha uns 4 anos, e eu e minha prima, filha dela, dois anos mais velha que eu, um dia brigamos por criancices, bonecas e ursinhos. Ela esperou a minha mãe ir trabalhar, veio aqui na nossa casa, e me deu um xingão, como se eu fosse uma pessoa adulta, não uma criança. E quando eu tinha 10 anos, e ela disse na frente de todo mundo que do jeito que eu era bagunceira, provavelmente tinha sido eu que tinha causado um derrame na minha vó, e que ainda acabaria causando um na minha mãe. E essa mesma tia falou esses dias que gostaria que os filhotes da minha cadela, que não tem nem 60 dias, morressem. Eu a chamaria de cadela velha, mas é uma ofensa a minha cadela e à todas as cadelas do universo.
P.S- Me perdoem os possíveis erros de português, ainda estou me habituando com a Nova Gramática.

P.S2- Esse calor está me matando!

domingo, 25 de janeiro de 2009

sem nada para contar

Então resolvi colocar aqui um texto da autoria de Jô Soares.

No princípio eram as trevas.Aí Deus criou o couvert.Depois do couvert vieram as entradas, depois das entradas, o pernil. Depois do pernil veio a farofa, a maionese e o feijão tropeiro, além da cerveja, é claro, bem gelada, que não podia faltar. Deus achou tudo aquilo muito bom mas achava que faltava um doce. Aí apareceu o quindim, depois do quindim veio o café. O café e um licor. E a conta. A gordura é a desgraça do mundo moderno.

Vendo que estava engordando, tomei uma coca cola e uma decisão drástica: vou comer menos. E para mostrar que não estava brincando entrei imediatamente num Mc Donald's e pedi um Big Mac sem cebola. Começou aí o meu regime. Sim, pois o primeiro passo para quem decide começar uma dieta é, antes de mais nada, escolher entre os milhares de métodos de regimes à disposição. Logo eu que gosto de tudo... que como tudo... Como até aquele queijo do Mc Donald's que é feito do mesmo material da caixinha em que vem o sanduíche.

Mas vamos às dietas.Tem a dieta do Amir Klink; onze meses na Antártida. Esta dieta tem um problema: além de emagrecer, causa espinha no rosto, e faz cabelos aparecerem nas mãos. Segundo alguns até pode levar à cegueira. Tem ainda a famosa dieta do Abacaxi, na qual você só pode comer um abacaxi por dia durante uma semana. Na segunda feira de manhã te dão sete abacaxis mas não dão a faca. É tiro e queda!

O gordo vive eternamente revoltado com a natureza. Por que só a cerveja dá barriga? Por que alface não dá barriga? Por que agrião não dá celulite? Está tudo errado no mundo, menos o pastel do Álvaro's.O primeiro sentimento de quem começa uma dieta é o de revolta. A vida passa a ser igual comida de hospital - não tem graça nenhuma. Dá vontade de acabar com tudo, a começar pelo que tem na geladeira, continuando a fúria devastadora de Gengis Khan até a loja de doces que colocaram na esquina só pra te sacanear.

O emagreando (ou regimando), é um indivíduo macambúzio, triste e cabisbaixo. Para ele nada faz sentido, só uma empadinha. A balança, depois da roleta do ônibus, é a sua maior inimiga.No geral, todas as dietas seguem o mesmo princípio: nada que é gostoso pode! E o pior são os médicos de dieta querendo convencer você das delícias do chuchu, do sabor da cenoura, que um tomate no lanche substitui um Big Bob e que o chá de camomila relaxa mais que um chopp.Só quem ganha com os regimes são os médicos de dieta, que devem gastar todo o dinheiro em banquetes monumentais, em porres homéricos nos congressos que eles organizam só pra contar piada e zombar dos pacientes que eles deixaram suspirando na frente de uma folha de alface.

Mas como você não consegue emagrecer, o jeito é ir para um Spa. Alguns indivíduos têm de ser trancados em jaulas para agüentar a rotina do Spa. Num Spa um irmão esfaqueia o outro por causa de uma bomba de chocolate, o marido estrangula a e esposa por um cream-cracker.Fugitivos destes campos de alimentação, quando conseguem escapar dos cães farejadores de comida, andam quilômetros para buscar refúgio na padaria mais próxima.Quando voltam para casa, vários quilos mais magros, cheios de rugas e cicatrizes, trazem a marca de quem escapou vivo do inferno e mais tarde, nas noites frias de inverno, contam para seus netinhos como pagaram uma fortuna por um cheese-burguer sem catchup!Comida pra ser boa tem que fazer mal, dar dor de barriga: mocotó, feijoada, leitão à pururuca, rabada, xinxim de galinha, vatapá, caruru, bobó, barreado, virado à paulista, baconzitos, cheesito s, doritos, pizza, batata frita de latinha, cheeseeggtudoburguer com molho e sem alface, bacalhau à zé do pipo, salame, salchichão e, é claro, o porco como um todo!!!!! Isso sim é que é comida de verdade! Comida só funciona com culpa. E tem mais: se a gula é um pecado, o inferno deve ser ótimo pra fazer churrasco.Ninguém no sábado depois do almoço bate na barriga satisfeito e vai puxar um ronco depois de comer uma salada.

Ninguém convida um amigo: "vai sábado lá em casa que vai ter alfaçada". É mais fá cil perder um amigo se você fizer um convite desses do que os 30 quilos que estão sobrando!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Minha mãe precisava ir em uma agência bancária que ficava no shopping e no mercado que tem lá. Caminhamos, do estacionamento até a agência bancária, não é muito longe, afinal o Shopping Canoas não é nada grande. Minha mãe entrou na agência e eu fiquei do lado de fora, fazendo esforço pra respirar, porque aquela caminhada de dois minutos havia me tomado o fôlego todo.
Daí fomos até o mercado que fica do lado da agência.
- Mãe, caminha mais devagar, tô com falta de ar.
-Mas que horror! Tu tá precisando caminhar mesmo.
Eu sei que preciso, mas sozinha, não consigo ir até a esquina.

Amanhã, dia 22, faz um ano que o Heath Ledger faleceu. E mais uma vez digo que aquela frase do Cazuza tem tudo a ver comigo:

'OS MEUS HERÓIS MORRERAM DE OVERDOSE, MEUS INIMIGOS ESTÃO NO PODER...'


SAUDADE...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ei, você aí do céu!

Não quero frases clichês de fé, amor e força, não é isso que eu preciso, apenas quero desabafar.

As vezes acho que quando Deus me cuspiu ou me vomitou aqui na Terra, das duas uma: Ou ele resolveu apostar em um projeto cheio de falhas, pronto pra ser uma fracasso, ou então ele pensou que eu realmente ia me sobressair a todo esse monte de dificuldades. Ó querido Deus, eu sou uma filha fraca, não sou forte, querido Pai.


Eu sei que tenho uma vida melhor do que muita criança que apanha, passa fome e é estuprada. Eu sei que eu tenho uma vida melhor do que muita gente que sofreu um acidente e perdeu o braço, uma perna. Eu sei que eu tenho uma vida melhor do que desabrigados que perderam tudo, ou pessoas que vivem em zona de guerra. E eu sei que eu tenho uma capacidade de correr atrás. Mas cada dia parece que os problemas da minha vida aumentam. Acha que eu tenho vida fácil? Então venha viver a minha subvida. Que tal ver a sua mãe triste todos os dias, e você na mesma? Que tal ter que ajudar a sua vó que se recusa a lavar as mãos, sendo que o quarto dela fica a uns 8 metros da pia do banheiro? "Me traz um paninho úmido pra eu limpar as mãos!" Me diz ela depois de comer frango frito com as mãos. Que tal ver as suas malditas tias vindo aqui todos os dias, dando ordens? Detalhe: Você mora de favor, na casa de uma delas, porque a sua mãe não tem casa própria, nem condições de pagar aluguel, ou seja, você não tem direito de mandar essa gente nojenta calar a boca e tomar no cu. Que tal ver toda essa gente que eu acabei de falar feliz da vida, todo mundo realizado, e você tendo que ouvir a felicidade dos outros, sentir inveja todos os dias, porque as suas primas bêbadas conseguem passar na UFRGS duas vezes, conseguem bolsas na universidade, empregos por intermédios de namorados, porque é óbvio, você é a única pessoa que não é bonita a ponto de conseguir isso. Que tal ver a sua mãe falhida e não poder fazer nada para ajudar? Que tal ter o sonho de entrar na universidade, e saber que as chances de isso acontecer não são lá muito grandes?


E pra ajudar, você não consegue um pingo de força de vontade, mesmo pensado, tentando uma maneira de 'mudar de posição'.

Não, eu não me entreguei e nem vou fazer isso, mas to exausta, indignada com as injustiças, não só em relação a mim, mas em relação a tudo o que parece errado.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Apenas mais do mesmo, e talvez uma possível solução


transpirando excessivamente. Diversas vezes tenho que me apoiar nas paredes para não cair. Sábado eu estava preparando o café da minha vó, e achei que nao fosse conseguir chegar ao quarto dela. Depois de entregar o café tudo que consegui foi me arrastar até a cama. O detalhe é que eu tinha acabado de me levantar. É como se alguma força tomasse minhas energias. Mas acho que essa força fui eu mesma que criei, com meus pensamentos, meus dizeres e minha falta de atitude.
Estou mesmo gorda, vocês não fazem ideia. Tem momentos em que me enrolo em um lençol aqui em casa, porque todas as roupas que coloco marcam minha banha ou ficam apertadas, me sufocando, cortando a minha circulação.

Li uma matéria que me deixou bastante interessada. Já fiz terapia, não adiantou. Já tomei vários remédios, adiantou, até que eu parei de tomar e engordei uns 25kgs em 4 meses. Sabem o que eu ainda não tentei? Hipnose. Conversei com a minha mãe, que não botou fé no assunto. Além disso, as sessões são caras, quer dizer, nos lugares confiáveis. Tem um centro de hipnoterapia em Porto Alegre, achei o lugar confiável, mas com certeza, algo que não posso pagar no mommento. Pedi para minha mãe me dar isso de aniversário. A última tentativa.
Porque eu me recuso a 'viver' dessa forma pra sempre.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Hábitos... Postura...Passos...

Aimagem ficou feia aqui, mas se vocês clicarem nela, dá pra ler direito.


Mudar hábitos não é nada fácil. Eu estou habituada a forrar o estômago com coisas calóricas, estou habituada também a querer tudo a curto prazo. Estou habituada a aceitar a derrota. Preciso mudar esses hábitos. No pain, no gain, frase certa. Sem esforço não há recompensa. Estou habituada a não me esforçar, virei aliada da depressão.
Posso começar aos poucos e lentamente, sei que conseguirei. Sei também, que alguns dos meus problemas não ficam só na questão da força de vontade. A falta de ar quando saio sozinha, o pavor de ficar em lugares cheios. Quantas vezes, nos últimos anos, em apresentações no ginásio da escola, ou na hora cívica,coisas assim, eu não segura na mão de uma amiga como uma criança, e fazia esforço pra respirar direito e não gritar? Isso precisa ser tratado. Tenho algumas ideias mas não tenho dinheiro. Um emnprego resolveria. Conseguir um emprego qualquer, significa superar mais um medo. Vou conseguir.
OBRIGADA MI, PELA CONVERSA, POR TER ME DITO ALGUMAS COISAS QUE EU SEMPRE SOUBE, MAS QUE EU PRECISAVA OUVIR.
Minha pele continua feia,oleosa e com feridas, meus peitos enormes, sutiãs apertados e as minhas calcinhas que antes eram bem confortáveis, estão pequenas demais. Algumas nem uso mais, porque parecem uma tipo fio dental, e acho isso tremendamente desconfortável. Isso não vou conseguir mudar da noite para o dia. Mas em alguns meses talvez.
Não estou feliz, exultante ou extremamente animada, mas tenho que dar os primeiros passos,e não ficar na 'posição de deprimida'.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Reflexo

Hoje quando me olhei no espelho, a imagem que vi me chocou. Não somente pela gordura, como costumava ser. O que eu vi não foi uma pessoa que engordou uns 20 e tantos quilos nos últimos meses, o que eu vi, foi uma pessoa envelhecida, com uma expressão desconhecida no rosto. Eu pareço mais velha que a minha mãe, pareço mais velha que as minhas tias. Minha pele está diferente do que era,brilhosa, sebosa, envelhecida. Meus dentes estão extremamente amarelos. Minha boca cheia de feridas. E meus olhos... Sem esperança.Não foi à toa que minha amiga disse pra eu me cuidar, porque eu poderia acabar com um problema de coração antes dos 20.


Se continuar a ser assimm, sinceramente, não tenho mais motivos pra viver. Costumo dizer que é graças a minha mãe que estou aqui até hoje, porque ela precisa de mim, e nas vezes que realmente pensei em me matar, ela sempre surgiu em meu pensamento. Mas de que adianta uma filha inválida? Se eu fico 5 minutos sentada na mesma posição, a circulação das minhas pernas vai pelos ares, outro dia cruzei um pé por baixo do outro, e quando fui levantar não o sentia mais. Fiquei por horas com dores horríveis no pé. Estou acabada, estou me acabando. E se eu morrer logo, vai ser por vontade própria.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vontades...


Me sinto sozinha, se não fosse por vocês acho que não poderia dizer que tenho amigos. As 'amigas' que tenho aqui, fora da internet, só me procuram por conveniência, quando precisam de mim. Se eu mando um e-mail perguntando apenas como elas estão, se elas assistiram tal filme, elas não me respondem. Agora quando precisam de mim enchem minha caixa de entrada. Obrigada à todas.
Não estou bem. Nada bem na verdade. Não sinto mais prazer nas pequenas coisas que sentia antes, não vejo mais graça em nada, minha vontade é dormir. Se corajosa eu fosse, dormiria para sempre. Mesmo com essa vontade de conseguir todos os remédios pra dormir e ingerí-los de uma só vez, acho que se alguém apontasse uma arma para a minha cabeça eu sentiria mede, e pediria mais tempo.


Ainda essa semana, conversando com a Ruby no msn sobre literatura, falei de um dos meus autores favoritos. Álvares de Azevedo. Minhas 'amigas' citadas antes, costumavam brincar comigo dizendo que eu era a reencarnação dele, tamanho meu pessimismo, e devido aos textos que eu esvrevia, parecidos com os dela(vulgo plágio). Enfim, achei um poema dele que me define completamente no momento.


Se Eu Morresse Amanhã!

Se eu morresse amanhã,
viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Agora a coisa vai feder!


Vai ter a formatura da minha prima agora por esses dias... Sei que é antes do dia 20 de Janeiro. Eu e minha mãe obviamente não vamos. Primeiro, porque não gostamos de parentes e minha mãe tem muita raiva dessa prima. Segundo, não somos muito chegadas em festa.

Acontece que vem uma parentada pra cá, e onde é o melhor lugar para se hospedar? A CASA DA VOVÓ! Onde é a casa da vovó? É AQUI! Minha mãe já estava surtando com a chegada da tia L., uma mulher chata que dói, mas a minha mãe tem uma certa consideração por ela, e não trataria ela mal. Mas daí tem mais: Vem duas primas do interior, irmãs da B.(A B é minha prima, mas é quase uma irmã, não a chamo de prima porque a categoria prima aqui não é algo legal). Mas então, vem essas duas irmãs dela do interior, eu não tenho nada contra elas, mas também não as quero, assim como nenhum parente, perto de mim. Eu não deveria falar o que vou falar, pois a vida das duas não é nem um pouco perfeita, mas do que adianta guardar isso pra mim mesma e bancar a compreensiva? Enfim... Elas são pegajosas, do tipo que só falta te acompanhar ao banheiro. Por exemplo, se sentamos na sala, sem assunto nenhum, e eu levanto para pegar água, uma delas vem atrás, seguida da outra. Uma delas pega no meu cabelo, assim como a tia L. O meu cabelo vai estar preso o tempo todo que houver visitas aqui, e se alguém pegar nele mesmo assim, vou dar a mesma recuada com cara de nojo que sempre dou quando a tia L pega no meu cabelo, e que minha mãe tanto recrimina, dizendo que a cara de nojo que eu faço é falta de educação, e que eu demonstro ter nojo das pessoas. EU REALMENTE TENHO.

Minha mãe vai fazer o primeiro empréstimo do ano. Ano passado foram uns 3, que eu fiquei sabendo. Talvez nos afastemos de casa e deixemos tudo com as minhas tias, que gostam de se meter tanto. Elas sempre convidam o povo pra vir pra cá, mas o povo se hospeda aonde? NA CASA DA VOVÓ!!!

Minha mãe falou que se algum dos irmãos chatos da minha avó aparecesse, ela e eu iríamos sair de casa até que eles fossem embora, e avisá-los que agora o negócio é com eles. Cuidem da casa, cuidem da vó, se virem!!!
Eu a apoio e torço que ela realmente faça isso. Tá na hora dela impor mais respoeito para as minhas tias&cia.
Obrigada pelos comentários tão solidários de todas vocês no post passado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Avalanche


Minha mãe está na mais profunda depressão. Estou triste, desesperada e com dor na consciência, porque sei que eu poderia ter sido mais útil nos últimos tempos. Acho que os problemas que ela carrega desde 2001, quando a nossa vida mudou drasticamente, formaram uma bola de neve, e agora minha mãe está em meio a um avalanche, sem ter ideia de como sair, já entrego, já desistindo.


Até 2001, as coisas funcionavam bem aqui em casa. Minha mãe trabalhava fora e minha vó fazia os serviços domésticos, até que em janeiro de 2001, minha mãe me acorda de manhã cedo:

-Marcy levanta, tu vai pra casa da tua tia hoje.

-Ah mão, to com sono!

-A vó teve um derrame e nós vamos levá-la pro hospital.

Imediatamente eu estava sentada na cama. Não acreditava no que eu estava ouvindo. Desde pequena ouvi as histórias do meu bisavô que morreu decorrente de um derrame, e agora a minha vó. Quis ver ela. Apenas espiei, não tive coragem de olhar para o rosto dela, e também não disse tchau. Mas minha vó é forte e sobreviveu, está aí até hoje, porém, não é mais a mesma. O lado esquerdo do corpo dela ficou bastante sequelado, paralisado. Ela ficou um bom tempo no hospital, e nesse tempo aconteceram os primeiros telefonemas para a tele-entrega, afinal minha mãe estava esgotada. Pizza e Xis virarão refeição principal aqui em casa, e eu aprendi a fazer lanches gostosos com pão e maionese.


Quando a minha vó voltou do hospital, eu deixei de ser cuidada, e passei a ser quem cuidava. Claro que eu não fazia tudo sozinha no começo, mas aos poucos a minha vó começou a conseguir fazer algumas coisas sozinha. Ir ao banheiro, tomar banho, etc. Mas quando ela precisava trocar de roupa, lá estava eu, na hora de colocá-la na cama, lá estava eu. Junto com isso vieram as minhas tias e suas ordens. De repente elas faziam suas visitas e quando saíam, TODAS diziam: "Cuida da tua avó heim!" "Não vai causar encomodo pra tua mãe nem pra tua avó!"

Um dia eu estava correndo, e minha mãe, que trabalha a noite estava dormindo, era uma tarde de fevereiro, e uma tia minha perguntou se eu queria que a minha mãe tivesse um derrame por minha culpa, porque eu estressava ela demais.


A minha mãe também teve um baque, e agora eu, idiota que sou, vi o quanto de ajuda eu neguei a ela. Minha mãe além de trabalhar ficou com tudo em casa pra fazer. De uma semana para outra,a casa estava uma bagunça, como está até hoje. Eu e ela engordamos. Uma certa vez, comemos pizza por uma semana inteira. E eu nunca fiz nada pra melhorar nossa condição! Tudo bem, eu ajudava a minha vó, mas coloquei essa como minha única tarefa, e eventualmente lavava uma louça, enquanto a minha mãe ficou com todo resto. E agora minha mãe está como está. Mal, triste, amargurada. E eu sou parte disso. Eu ajudei a causar isso. Não há nada que possa ser feito para mudar o passado, o que posso fazer é ser mais útil em casa, deixar de ficar lendo romances e livros policiais, deixar de lado essa merda de computador, esquecer nossa coleção de DVDs por um tempo. Minha mãe precisa de mim agora.



Ela toma remédios pra pressão, e ha alguns meses uns remédios pro pulmão. uvi ela dizendo pra si mesma o seguinte:

"Vou parar de tomar esses remédios pra ver se eu morro de uma vez."
Eu acho que vou junto.


Eu faço parte disso, ajudei a causar isso.

domingo, 4 de janeiro de 2009


Terminei o ensino médio(sem louvor algum, mas terminei), adeus escola e blablabla. Mas o engraçado, é que eu não tenho nenhum motivo pra comemorar, ao contrário.
As vezes parece que a minha mãe está com raiva de mim, mas na maioria das vezes ela é uma pessoa legal ao extremo, mas hoje em especial, ela está mesmo com raiva de mim. Devido as minhas compulsões, a minha desorganização, ao meu jeito de sobreviver.


Eu tenho vontade de gritar, berrar mesmo, qualquer palavra, qualquer som sem sentido, pra por qualquer coisa pra fora.As vezes tenho vontade de gritar com a minha mãe e dizer: SE A DROGA DA NOSSA VIDA ESTÁ UMA DESGRAÇA, A CULPA NÃO É SÓ MINHA! SE TU ESTÁ FALHIDA, SEM UM TOSTÃO NO BOLSO, A CULPA NÃO É MINHA!!! Maldita hora em que ela foi engravidar e nasceu esse monstro que eu sou. Maldita hora em que a minha mãe pensou que ter um filho seria algo bom, maldita hora em que eu decepcionei a minha mãe em todos os sentidos. Maldita hora em que eu fui concebida.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Eu estive sem internet, quase enlouquecendo, apenas assistindo DVDs.


Depois que fiz o provão, tive certeza de que havia reprovado, afinal, só consigo resolver 3 malditas questões da maldita prova de física, o resto foi no chute, e questão sem cálculo é anulada. Mas ainda havia a chance de ser aprovada pelo conselho. Algo meio difícil, tendo em vista que em meados de Outubro tive uma discussão pequena com um professor e ele disse: "Vou me lembrar disso no conselho."Mas acho que ele esqueceu disso, porque fui aprovada. Menos um peso... Será mesmo? Agora vou lhes explicar uma coisa.

Não estava desesperada com o fato de reprovar, não enfiei a cara nos livros por um simples motivo: A ideia de reprovação era reconfortante. MAS PERA AÍ MARCY!!! COMO ASSIM? Eu explico. Assim que disse o resultado pra minha mãe ela comemorou, comentou o fato de que também já tinha certeza que eu havia reprovado, como a surpresa foi boa e bla bla bla. Depois houve um diálogo que explica os motivos que faziam a reprovação parecer algo bom.*Mãe- Agora sim tu está livre.*Eu- É, agora eu vou ficar sem fazer nada. Talvez eu enlouqueça de vez. *risos**-Que nada, agora tu vai poder arrumar um emprego.-Que emprego mãe? Com o excelente currículo que eu tenho?-Eu te ajudo a arrumar um, tu vai ver.-Mãe, eu não vou nem estar na faculdade.-Antes de entrar na faculdade, tu vai ter que trabalhar.

Estão entendendo? Minha vida vai ser do jeitinho que a minha mãe quer. Pagar é algo meio sem condições pra ela. Eu estudar teatro, e me dedicar apenas a isso, porque é a única coisa que eu tenho certeza que me faria uma das pessoas mais satisfeitas do mundo é loucura(ouço isso desde os 8 anos de idade, quando falei pela primeira vez: "mãe, quero ser atriz". Naquela época eram gargalhadas, hoje apenas um olhar desanimador.) Mas aposto que se eu dissesse: "Mãezinha, quero fazer faculdade de farmácia", ela se empenharia e como se empenharia para tornar isso possível pra ontem. Se eu quizesse fazer um curso de montagem de computador, e esses lances tecnológicos, ela ia ser só sorrisos. Mas infelizmente, a filha dela, mesmo já tendo desistido do sonho que carregava desde os 8 anos de idade, quer fazer jornalismo, algo que ela não acha magnífico.Não dá tanto dinheiro quanto farmácia. Um mercado onde nunca faltarão clientes-É o que ela diz.

Eu posso muito bem esperar 6 meses, completar 18 e me mandar daqui, arrumar um emprego qualquer durante o dia e estudar teatro durante a noite, e nem me preocupar com o desgosto dela. Mas cara, eu sou a única filha (tendo em vista que a B. não mora conosco) que ela tem. Isso de certa forma me prende mesmo aqui. Ela só tem a mim, da mesma maneira que eu só tenho a ela.




Como foi o natal? Não foi... Agradeço por ter sobrevivido a data. Confesso que não sobrevivi inteira, meus pulsos carregam as marcas da minha tristeza, mas a caixa de remédios que eu pensei em tomar inteirinha, está intacta. Não me culpem. Mas se alguém aqui acredita em crime e castigo, estive usando manga comprida por dois dias, e para a minha mãe não desconfiar e acreditar que eu estava com um pouco mais de frio, coloquei uma calça meio invernal. Mesmo assim ela desconfiou.
A virada? Com um DVD de companhia.

Para quem aguentou ler essa baboseira até o final, obrigada.Para quem não leu, obrigada também.