sábado, 30 de outubro de 2010

Uma Personalidade Confusa


-Tu adora te rebaixar né?
-Ah, para de falar como a minha mãe e minhas amigas, por favor né.
Virei as costas e saí.
Continuei minhas tarefas e ele as dele.

Mais tarde...
-Tchau.
-Tchau. Até mais.
-Me dá um abraço Marcy.
Trocamos um abraço, posso dizer que foi o mais estranho da minha vida. Enquanto meu cérebro se perguntava o motivo e achava aquilo estranho, eu simplesmente o abracei sem hesitar.
-Por que? É porque tu...- Desisti de terminar a frase, mas eu queria perguntar se ele tinha pena de mim por eu ser esquisita.
-Viu só? Não to dizendo?

Eu sou uma imbecil. Acho que ele é meu amigo, de verdade. Não por pena, comodismo ou interesse, mas por algum desses motivos que tem essa coisa que envolve amizade verdadeira.


Há algum tempo atrás eu contei do vestido que iria, ou melhor, vou usar em um casamento, alguém lembra? Ele está quase pronto e está lindíssimo, amei, e até me adorei nele! Achei uma echarpe linda que cobre meus braços. O ponto complicado é que tenho 15 dias pra aprender a usar salto. Estou com um saltinho agora, pra começar, mas queria chegar ao nível saltão fino de uma vez.
Beijos e Abraços!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nos adaptar(?)

Vamos combinar, vivemos em um mundo bem louco, como não nos tornarmos loucos então? Se você tem cabelo crespo, pode aderir a chapinha ou a uma escova japonesa/marroquina/progressiva, tornando seus fios lisos e sem volume. Se você tem cabelo liso, que tal ler aquele artigo que ensina um penteado que dá volume aos cabelos, ou pode também aderir ao babyliss para ter cachos saltitantes na cabeça. Se você tem cabelos ondulados, pode fazer chapinha seguida por babyliss para ter um penteado charmoso e definido.
Se você tem seios grandes aposte em roupas que disfarcem essas tetas enormes que você arrasta consigo. Se você tem seios pequenos, jogue todas as suas fichas em sutiãs com bojo gigantesco.

As revistas poderiam trazer na capa os destaques de matérias como “Aprenda a Ser Artificial”.
E que tal o seguinte artigo:
“Finalmente entrou em um manequim 38? Foda-se imbecil! O número da vez é o 34! Trate de se olhar no espelho e sentir-se o maior lixo, em seguida procure o método mais rápido de chegar ao tão sonhado 34 destruindo-se, e todos a sua volta também!”


Ao ligarmos a TV:
“Hey você aí em casa! Pare agora mesmo tudo que está fazendo e adquira já a cinta redutora que quebra as suas costelas, deixando a sua cintura fininha! E se você ligar agora mesmo para o número que está aparecendo no seu televisor, você leva grátis um gel ácido redutor de medidas e um estilete para você descontar na pele quando estiver angustiada e se der conta de que você nunca estará dentro dos padrões. Aproveite essa oportunidade, ligue já!”


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Gritos...Impulsos...

Nos encaminhamos para a plataforma do metrô. Era a hora do rush. Pessoas e pessoas. Eu caminhava sempre um pouco atrás. Eu estava meio arrasada naquele dia. Havia tido um ataque de choro no trabalho, não pelo fato de uma colega ter reclamado da minha estupidez- que é só com ela, visto que não suporto aquela pessoa vulgar-, nem pelo fato de ter levado um puxão de orelha do chefe depois de ter urrado um palavrão ao derrubar um telefone. Amanhã mudo minha postura e isso tudo passa, mas não sei, estava meio sei lá. Fora o fato de ter perguntado pra minha gerente se ela estava com gripe, e ela, com a maior cara de brava disse que não, apenas não havia dormido na noite anterior. Ok. Não consegui finalizar meu trabalho e me mandei assim mesmo.
Voltando a plataforma do trem... O trem veio chegando, eu disse pra ele entrar que eu ia esperar a multidão se matar e entraria em seguida. Escolhemos o vagão mais vazio, não tinha multidão, fingi que ia no impulso mas não, esperei todo mundo entrar.
-SENTA AQUI DO MEU LADO, TEM LUGAR!
-NÃO!
-POR QUE? SENTA AÍ!
-MEU QUADRIL É MUITO GRANDE!
-SENTA AÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ DE UMA VEZ!
Sentei.
-To te amassando né?
-Escuta guria, tu quem tirar essas coisas da tua cabeça.
-Se eu não to te amassando to amassando a pobre coitada aqui ao lado!
-Tá na hora de parar com essas paranóias. Mas quem sou eu pra dar conselhos? É o sujo falando pro mal lavado.

O que as pessoas querem dizer com isso tudo? Mas afinal, sentada, o metrô inteiro ficou sabendo que eu tenho problemas com meus quadris. Mas é legal ter essas pessoas malucas por perto que me fazem fazer isso.


Fora isso nada mudou desde o post passado. To afundada no mesmo monte de lixo. Eu sou o tipo de pessoa imbecil que comete os mesmos erros todos os dias, e nunca aprende. E acho que toda essa coisa de transtornos alimentares está começando a interferir no meu trabalho, já não bastasse todo o resto. Acho que seria mais digno me demitir ao invés de esperar eles fazerem isso, depois que, ah, essa parte esqueci de comentar no começo do post, troquei toda a exposição dos livros de gastronomia por livros de dieta.

domingo, 17 de outubro de 2010

Like a Storn


Gosto daquela hora que antecede um temporal, sabem? Quando esfria de um momento para o outro, começa um vento forte, o céu escurece. Parece um pouco com a minha vida, e de repente, tudo desmorona.
Eu sei que eu sou um pouco ingrata, aquela velha história de que tenho uma família, –que eu não valorizo- amigos, saúde, – da qual eu não cuido- um emprego e internet em casa. Essa última foi uma piadinha pra deixar as coisas mais leves.
Na semana passada perdi minha carteira com todos os documentos dentro, RG, CPF, título de eleitor, cartão do convênio, ticket alimentação, tudo, tudo, inclusive meu querido crachá do shopping. E mais ou menos R$8,00. Isso foi no domingo. Na quinta-feira, quando eu já tinha perdido todas as esperanças, já tinha regiatrado o BO, recebi uma ligação da administração do shopping onde eu trabalho, e lá estava minha carteira. Eu dizia pra todos: “Eu sou abençoada!” “Sorria! Você está olhando para uma pessoa de sorte!”
Dois dias depois, eu estava chorando dentro do metrô, me sentindo o mais infeliz e sujo dos seres, e não por um motivo especial. Mais tarde uma colega perguntou qual era o problema comigo, eu disse que não havia nenhum. Afinal, o vazio não é um problema, se fosse um problema, poderia ser resolvido.

sábado, 9 de outubro de 2010

Vou Seguindo Sem Parar…Nesta Louca Estrada O Meu Destino Não Tem Nada a Mais Que Uma Carona Nesse Mundo a Mil

Carona
A Gente Pega e
Não Escolhe Onde Vai Parar
Parando
às Vezes Se Aprende
O Quanto Se Pode Andar


Carona- Cidadão Quem

Estávamos no carro dele, aquela carona tinha sido muito bem vinda. O celular tocou, o dele. “Vamos pegar a minha mãe ali no centro, pode ser?” Gelei. “Ok. Eu sou meio tímida tá bom? Ainda que não pareça” A mãe e a irmã são um amor, de verdade, daquelas pessoas que te causam simpatia de cara, mas acontece que eu não consigo ter muito assunto nessas ocasiões. Chegamos em frente a minha casa. Me lembro de ter dito tchau e ter apertado a mão dele, mas eu não sei se eu olhei pra mãe e pra irmã e disse ‘tchau, foi um prazer’, como ele disse pra minha mãe. Eu quase saltei do carro. Obviamente estou me sentindo um lixo, uma palhaça caipira, e não sei quando vou, ou se vou, pegar outra carona.
Pense bem, eu não estava fazendo nada errado, eu poderia ter agido normalmente e conversado como um ser humano civilizado, ao invés de parecer uma pateta antepática e estranha.
Isso só mostra que aquela Marcy das crises de pânico que eu achei que tivesse ido embora, continua aqui.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A cada dia que passa, tudo que eu sinto ao perceber que não consigo fazer, e nem fiz o que deveria, é um vazio.