sábado, 31 de dezembro de 2011

Caminhando e cantando e COMPONDO a canção

Dois mil e onze entra para a história da minha vida como o ano mais agitado que já vivi, e quer saber? Que 2012 tenha o dobro de agito. Momentos difíceis, vitórias, lágrimas, sofrimentos... o que importa, é independente do calendário, continuar andando, só assim as coisas se movem, se arrumam até acharem seu devido lugar. Pra variar, eu vou sem promessas ou resoluções, apenas vida e movimento. Desejo à todas vocês o mesmo.


Janeiro -  Comecei o ano dizendo que queria sair, beber e aproveitar a vida. Eu estava mais magra do que em 2010 e pretendia seguir dessa forma. Dia 16 saí para beber com aquele que sem eu perceber se tornou meu melhor amigo e uma outra colega, descobri que gosto disso.

Fevereiro- Ansiedade. Faltava um mês para o meu ingresso na universidade. O sonho se realizando. Foi a última vez em que eu comemorei o aniversário da minha vó. Passei mal por conta da bulimia.


Março- Faculdade. O sonho realizado, encontrei meu lugar nesse mundo e descobri que aquele curso realmente é o que eu amo. Dia 30 o mês de março é encerrado com o grande show do Ozzy Osbourne, e eu estava lá, esquecida, fora do meu mundo obsessivo, me divertindo.

Abril-  Estressada com o trabalho.

Maio- Dia 13 saí para beber com meus amigos e foi o máximo. Dia 20 novamente, e nesse dia bebi, como nunca antes e como nunca mais. Vinho, gim e cerveja. Desmaiei, vomitei, bati a cabeça e gritei no meio da rua. Meu melhor amigo e seu irmão estavam lá comigo e chamaram minha mãe. ¬¬

Junho- Entro em férias no trabalho, consigo um estágio e peço demissão. Vou em uma das festas mais legais da minha vida. Jogo pôquer.

Julho- Peço demissão do estágio. Completo vinte anos. Meu melhor amigo faz aniversário um dia depois de mim e vamos em uma festa onde eu, acompanhada somente por garotos, esqueço os problemas da vida e me divirto.

Agosto- Vou para um estágio na minha área e me apaixono por aquilo tudo. Estou sofrendo por uma paixão imbecil de adolescente. Me desespero, me sinto desprezada e infeliz. Vou em uma festa com uma guria doida e acabo chamando meu amigo para me socorrer. Chego a conclusão que sair com garotos é mais legal do que com garotas.

Setembro- Saio para beber e canto Mutantes e Pink Floyd no meio da rua de madrugada. Dia 24 perdi uma das pessoas mais importantes e especiais da minha vida, de quem eu tanto falei neste blog. Nunca esquecerei da minha vó.

Outubro- Fui a um bar com meus amigos, começamos a cantar uma música, e de repente todos naquele boteco estavam cantando junto, como em um musical. Estou mal na faculdade.

Novembro- Assisto o melhor show da minha vida. Pearl Jam em Porto Alegre. Me senti tão viva! Problemas em casa. Conversas com uma colega da faculdade que tem problemas semelhantes aos meus.  O 

Dezembro- Recebo o convite para passar o natal com meus amigos e a família deles. Aceito. Tomo um porre sozinha no meu quarto em uma noite. Dias 24 e 25 tenho o melhor natal da minha vida. 



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reflexões




Se você olhar os arquivos deste blog vai ver uma pessoa que ignorou, se deprimiu ou teve crises de fobia no natal.  Agora foi diferente, venho aqui escrever que em 2011 tive o melhor natal da minha vida. Aquela família maravilhosa me recebeu de braços abertos, pessoas divertidas, carinhosas, receptivas, boas. Nunca vou esquecer o que fizeram por mim, e espero um dia poder retribuir o momento, de alguma forma.
Agora cá entre nós, eu sou um problema ambulante. Amei aquelas pessoas, amo meus amigos, mas tenho um problema comigo mesma. Sou tímida como uma pedra, insegura como uma pena na ventania, e talvez às vezes eu passe uma imagem fria, distante, desinteressada ou antipática. Como corrigir isso? Terapia? Acho difícil. Remédio? Já encarei essa. Bebendo? Funciona, mas não quero essa vida. Encarando os fatos da vida de frente? Acho que tenho tentado fazer isso aos poucos.
Mas voltando ao tópico natal e família... surgiu a questão inevitável: Terei uma família grande e linda que nem aquela que me acolheu um dia? Conseguirei manter meus amigos? Conseguirei consolidar uma família? Tenho muito medo de acabar sozinha, como sempre foi. =/
Esse ano fiz uma retrospectiva, como a que a Andie costumava fazer no blog dela todo final de ano. Foi surpreendente ir escrevendo aquilo, relembrando as pessoas que passaram pela minha vida, os acontecimentos bons, ruins, novos, loucos... Sexta ou sábado posto aqui no blog.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um pouco de magia



Marcy - Eu não gosto de natal, essa é a pior época do ano pra mim.
E (irmão do meu melhor amigo) - Eu também não, mas faz parte.

Marcy - Sei lá, já estou escolhendo o filme de terror que vou assistir no dia 24 de noite.
E - Nossa, mas por que?
Marcy - Quando você tem uma mãe que trabalha na enfermagem seus natais são sozinhos. Mas eu consigo me sair bem, mas confesso que às vezes dá uma dorzinha na alma.
Melhor Amigo - Vou fazer assim Marcy, te ligo 00:01.
Marcy - ha ha ha

Minutos depois eu fui ao banheiro e eles foram comprar cerveja. Voltei, eles ainda não tinham voltado, mas logo depois apareceram.

Ambos - Marcy, chega aqui.
Melhor Amigo - Temos um convite pra te fazer.
Marcy - Xiii
E - Olha, só pra tu saber, não é porque nós bebemos um pouquinho, é sério. Eu pensei nisso quando tu me falou, aí fui comentar com meu irmão e ele disse que já tinha pensado nisso há um tempo atrás, então fechou.
Marcy - Mas o que foi?!
Melhor Amigo - Que ir passar o natal com a gente e nossa família no interior?

Ali, naquele momento, eu deixei de lado as máscaras, abaixei a cabeça e chorei, depois demos um abraço triplo. Eu aceitei desde que eles confirmassem o pedido quando não tivessem bebido. Uns dias depois recebo um sms: 
"Oi Marcy. Já falei com todo mundo lá em casa, agora tu está oficialmente convidada para passar o natal com a gente."
Aceitei e lá vou eu, sábado que vem, passar o natal com esses dois caras que eu tive o prazer de conhecer e que se tornaram parte fundamental da minha vida, e curiosamente estão lá, em 98% dos melhores momentos que tive nos últimos tempos. Amizade pura com esse guri mesmo, sem maldade ou segundas intenções. 
Tratei de procurar aqui no blog a primeira vez em que o mencionei, mesmo antes de saber que ele se tornaria meu melhor amigo. Eis o que acho:

http://apenasmarcy.blogspot.com/2010/10/uma-personalidade-confusa.html




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Procura-se um rumo

É como se eu estivesse assistindo minha regressão. Não consigo mais reagir. Não correspondo de forma algumas às expectativas criadas pela minha mãe, e não consigo compensar isso. Vejo a menininha que eu vi crescer, que eu adotei como minha irmã, tendo atitudes que eu sempre repudiei. Mas afinal, quem aqui está farta de falsas expectativas? Bebi demais, mesmo. Na última vez, sozinha no meu quarto com uma garrafa de cachaça, caí, me cortei e fiquei com hematomas roxos. Não, realmente não é essa vida que eu quero. E é isso que me tira do sério, a sucessão de erros repetidos, dia após dia, os mesmos erros, um errar consciente. Comilanças se repetindo na minha vida novamente. Excesso de laxantes. Falta de remédios controlados. Preciso jogar algumas coisas fora, definitivamente.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Apesar

Eu sou uma sucessão de coisas bagunçadas. Sentimentos incertos e avassaladores, decisões indecisas, lágrimas de alegria, risos de desespero. Eu sei lá.

Em um momento estava me odiando, e junto comigo tudo ao meu redor. Noite passada eu estava chorando depois de receber uma proposta do meu melhor amigo e do irmão dele. Nunca vou esquecer aquele convite e a sensação de me sentir contemplada simplesmente por ter amigos como aqueles. Minha mãe me perguntou se diante de tal proposta eu não me sentia animada a começar um regime novamente. A balança tem me deixado triste, mas ontem, que já era hoje, naquele momento, eu esqueci esse detalhe. E a minha mãe, como eu a amo, mas as nossas semelhanças tornam a convivência difícil.

No estágio começaram os problemas. Há uma parte boa, muito boa aliás, no momento em que eu estou em uma sala fazendo aquilo que gosto, quase compensa os problemas com uma chefia imatura e ignorante. É hora de procurar coisas novas. A balança me deixa mais insegura ainda com relação ao meu futuro.

Em casa os problemas só aumentam, e o fato de eu não conseguir me controlar com a comida só me faz sentir pior.

Apesar de tudo isso, hoje vou deitar na cama e agradecer pela minha família desestruturada e pelos meus amigos, aqueles com quem eu estava ontem e aqueles com quem eu estou aqui e agora.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Antes do que quer que seja...

Mamãe chegou na cozinha. Pegou um pacote de cookies, tirou um, colocou-o inteiro na boca, mastigou duas vezes e engoliu. Uma pena não ter conseguido engolir suas mágoas junto, mas ela continua tentando, e sua filinha tem feito igual.

Eu odeio esse governo, eu odeio esse país, eu odeio compulsão, mas antes de qualquer coisa, odeio eu mesma.

domingo, 20 de novembro de 2011

Enquanto isso na cafeteria da faculdade...

Começamos o mesmo curso no semestre passado e nunca fomos muito próximas, ao contrário, ficávamos pouco a vontade uma com a outra. Eu, na maioria das vezes agitada, cheia de ideias, planos e conversas. Ela sempre calada, dizendo que achava estranho pessoas que nem eu que começavam a cantarolar alto em público.

No começo desse semestre lá estava eu, sentada naquele banco com os fones, ouvindo Smiths quando ela chegou, e pra quebrar o gelo cantei um pedaço da música, e foi aí que começamos a conversar mais, porque ela também gosta muito dessa banda que encanta tímidos, desastrados, frustados, realistas e deprimidos. Cerca de dois meses depois, na semana passada, esse diálogo:

-Essa dor nas costas que não passa. Tomo o analgésico mas nem adianta mais. Às vezes quando a dor fica forte assim eu penso besteiras...

-Como o que?

-Ah sei lá...

Silêncio.

-Bom.. Ah Marcy, acho que contigo posso falar disso.

-Como assim?

Ela aponta para o meu braço.

-Quando a dor fica muito forte, eu penso que uma outra dor pode aliviar a dor que eu sinto. E sabe, eu estou te falando isso porque sei que tu não vai me julgar...

-É, acho que tu já percebeu que eu não sou ninguém pra julgar.

-Por isso que quando o pessoal fica falando que tu faz essas coisas eu nem falo nado, porque só quem passa por isso entende.

E ficamos ali, conversando uns dez minutos sobre isso. Há duas ou três semanas uma colega segurou meu braço e perguntou sobre, e agora sou alvo de olhares discretos para o meu braço, que anda mais escondido. Saí em lojas a procura de pulseiras e munhequeiras. Não, não é um estilo, é covardia.

E sabe o que é pior? Eu sei que vai acontecer de novo, porque essa é a válvula que diminui o peso da minha culpa.


Quantas vezes a palavra dor apareceu nesse post? É algo presente nos últimos tempos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Things were different then, all is different now

Tear into yourself cuttings on your arm
Heart-a-beatin', tickin' like a bomb
After having seen all that they saw
It's hard to imagine, it's hard to imagine.

Hard To Imagine - Pearl jam


Uma mãe desiludida. Uma irmã inconsequente. Eu desiludida, ou talvez apenas acordada, no mundo real. O melhor show da minha vida, com meu melhor amigo, aliás, obrigada por existir meu irmão, ainda que você não leia isso. Obrigada Eddie Vedder, por uma das vozes mais lindas do mundo. A minha fome de vida e a minha sede de emoção. A minha loucura, o meu desespero, a minha confusão, os meus sonhos, o meu cansaço, o medo da solidão.

Essa não sou eu, essa é o que eu estou me tornando, ao menos a parte referente ao lado ruim. O medo e a desilusão em especial. Eu sei que as coisas precisam mudar. Eu sei...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Of course Mamma will gonna help to build the wall

-Conversar só comigo cansa Marcy. Eu não sei o que se passa contigo, tu não conversa mais com a gente, está distante, parece sempre irritada.
-Desculpa se eu pareço fria e insensível mãe, mas tem uma parte ruim em mim, no meu sangue eu acho, e não posso fugir disso. Tu deve saber...


Parece que é sempre dessa forma que os diálogos entre eu e minha mãe tem terminado. Eu a amo, isso é inquestionável, mas uma parte de mim está saturada dessa casa, dos mesmos problemas, da falta de vontade minha e dela. E parece que há uma espera por desgraça, pra daí poder colocar a culpa no destino por toda essa imobilidade, pelo nada.
Eu sempre fui uma guria de fé, cheia de esperanças e sonhos, que parava pra pedir ajuda à Deus sempre que precisava, e acreditava sempre ter a ajuda pela qual pedia. Quando era hora de agradecer agradecia. Há algum tempo já não consigo rezar. Creio que a última vez que isso aconteceu foi em Setembro, no velório da minha avó, e me sinto de alguma forma decepcionando-a. Ela sempre pedia que eu conversasse com Deus, e me lembrava de que quando eu estava voltando da faculdade para casa tarde da noite, um anjo estava ao meu lado, com a atenção redobrada pelos pedidos dela. Na última vez em que a vi ela pediu que eu orasse por ela, e que ela não tinha muita força para mais nada, mas sempre que conseguia manter a mente acordada, rezava por mim. Eu sabia que era a última vez. Um pouco de mim foi enterrado naquela cova.


Eu não tenho nada para oferecer à ninguém, exceto minha própria confusão.

Jack Kerouac


O lado bom da vida será nessa sexta, 11/11/2011, vou assistir Pearl Jam em Porto Alegre.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pretend

Tive que acordar, mas como eu me recusava, sei lá porque, o mundo me jogou um balde de água fria em pleno inverno, e vou lhe contar, foi um choque terrível, mas agora passou, e eu prefiro me manter assim.

Joguei fora as expectativas e escondi os sonhos. Troquei a fantasia de heroína pelo manto da realidade. Assim eu me machuco menos. A alma agradece.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mudar é preciso, é bom e natural

Por isso eu digo, como Raul, que prefiro ser essa metamorfose ambulante...


Não sei exatamente quando isso começou, mas sei que já não somos mais uma família, pelo menos não como antes, no sentido abstrato da coisa.
A impressão que eu tenho algumas vezes é que quando certas mães percebem que seus filhos estão crescendo e se tornando independentes, elas ficam com medo/raiva, e de alguma maneira, tentam impedir isso, e sem perceber, não aceitam coisas naturais como: Tu tem o teu dinheiro, tu trabalha, tu estuda e tu já pode fazer o que bem quiser com teu tempo e dinheiro. Aí quando notam que é um processo irreversível, tentam a boa e velha chantagem emocional, e conseguem fazer com que tu se sinta um lixo desprezível, mas daí tu para pra pensar no que tu fez, e percebe que tu não fez nada errado.
E de repente o teu projeto pra ontem é morar sozinha. Claro, isso será resolvido com calma, porque tu é adulta e já não aguenta mais ser tratada como criança, ou pior, do que como uma incompetente que só comete erros...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Imóvel

Da coisa de ter problemas eu entendo, o que eu não entendo é como às vezes não conseguimos reagir.

E então eu me deito na cama, no sofá, ou abro o Facebook pra ficar olhando a vida dos outros, enquanto a minha vida sei lá, está estacionada ou em uma marcha muito lenta, eu sei que a única pessoa que pode mudar isso está ali ou aqui sentada sem fazer nada.

A verdade é que eu não aguento mais essa situação, mas não consigo sair dela.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Then take me disappearin' through the smoke rings of my mind, down the foggy ruins of time, far past the frozen leaves

A primavera chegou a eu pensei que com ela chegaria o fim dos dias cinzas. Se estou certa ou não,não sei...

Você está partindo agora, e eu sei que é a hora, não estou pedindo pra você ficar porque nós sabemos que você já fez tudo que tinha para fazer aqui, tanta coisa boa, e tantas delas comigo, lembra???

Talvez alguns chamem de covardia, mas eu preferi não ir te ver nesse estado final, porque eu senti na última vez em que te vi que o final se aproximava, e lembrei de dizer que te amava, ou melhor, que te amo, e sei que você sabe isso, e não quer te ver em uma cama convalescendo e ficar olhando isso pra provar meu amor... Ah, você sabe o quanto eu te amo!

E desculpa pelos momentos difíceis, a adolescência terrível, de crises de raiva e pânico, a minha impaciência de sempre, as palavras duras e a minha ausência nos últimos três anos, mas você sabe que eu te amo, e sempre vou te amar, e guardar de você a melhor lembrança. Obrigada por cuidar de mim durante tantas manhãs, tardes e noite, obrigada por servir de exemplo pra mim. Você sempre será o máximo Vó.


domingo, 18 de setembro de 2011

Levar o mesmo soco no estômago todos os dias não quer dizer que você vá se acostumar

A minha tendência é não gostar das pessoas. Eu geralmente não gosto das pessoas, a exceção é quando eu gosto de alguém, e quando eu crio afeição por meia dúzia, é essa meia dúzia que me importa, e eu não sei por qual motivo então eu penso que conseguindo me relacionar com meia dúzia de pessoas que eu realmente amo, vou conseguir socializar com outras tantas dúzias que eu detesto. Aí eu vou lá e quebro a cara, porque eu não consigo.

E eu como sem parar, como se isso fosse preencher o vazio. E tento compensar, como se andar rápido por uma hora ou tomar meia dúzia de laxantes fosse relevar minha culpa.

Minhas perspectivas descem pelo ralo, pela descarga e pelo meu rosto, em forma de lágrimas.



Tange, que saudade.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Days Days Days


Há alguns meses atrás eu estava gostando dos dias em geral, que eram intensos e alegres, com momentos ruins. Hoje eu estou de mal com os dias em geral e vivendo alguns momentos muito bons de alegria intensa. Eu sei que vai ter valido a pena no futuro... Ganhar não tão bem no atual estágio mas adquirir experiência na minha área, e mesmo que não seja exatamente da forma que eu quero, estou fazendo aquilo que eu gosto, e que eu tanto desejei. Vai valer a pena ter me apertado financeiramente agora pra continuar na faculdade. Vai valer.



Quanto aos meus momentos bons e intensos, eles acontecem quando eu me desligo de mim e ao mesmo tempo sou eu mesma. Quando estou com os meus amigos e me sinto livre. Quando caminho pelas ruas de Porto Alegre no meio da madrugada com as pessoas que o destino acertou em cheio ao colocar na minha vida. Quando canto com eles em frente a um boteco cheio de gente e nem ligo se estão me olhando ou não. Nas vezes em que as coisas embaralham na minha cabeça no dia seguinte e eu lembro das coisas que aconteceram, mas não com tanta clareza, chego a pensar que vou me arrepender, mas que nada, não vejo a hora de chegar a próxima vez, e o que eu tenho mais próximo de arrependimento é aquilo que eu não fiz, coisas que estão relacionadas com a trava de insegurança, mas que aos poucos eu vou vencendo.


Ah, peço a Deus que me permita ter muitos desses momentos com essas pessoas que eu quero pra sempre na minha vida, e que permita que o destino se cumpra. E o que é destino? Destino é a gente pegar a vida pela mão e levar ela pra encontrar a felicidade, porque ninguém veio ao mundo pra ser infeliz. A vida dá as chances e os caminhos, nós escolhemos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vida Real


A gente tem a mania de volta e meia procurar um culpado para os nossos problemas, daí encontramos a culpa na sociedade, nos nossos pais, em alguém que passou pela nossa vida e cometeu algum erro, e quando nada disso serve, temos o destino aí pra carregar no ombro esse peso do qual queremos nos livrar. Por isso dói, e como dói quando a gente se dá conta de a culpa foi nossa, que racionalmente demos cada passo em direção ao que nos levou ao hoje. Dói ver o que poderia ter sido diferente. Quando é uma e outra coisa vá lá, acontece com todos às vezes, mas quando você pega um conjunto de coisas que deveriam ter sido melhor planejadas e não foram, você se pergunta porque.



Nas últimas semanas pensei, e como pensei, na minha situação, e como cheguei onde cheguei, coloquei na balança as minhas conquistas e os meus problemas. Na hora da pesagem felizmente as conquistas pesaram mais, porque há dois anos eu era uma guria obesa que ficava em casa tentando esquecer a amargura com comida. Consegui um emprego no lugar onde eu sempre quis, pra depois ver que não era tudo aquilo. Descobri o curso que queria fazer, prestei vestibular para uma universidade particular, passei e no começo desse ano lá estava eu, cursando Letras, determinada a lecionar. Só que o que fez com que o lado das minhas conquistas pesasse de verdade, humilhando o lado dos meus problemas, foram meus amigos. Fiz amigos maravilhosos e tive, aliás, continuo tendo ótimas experiências com eles. Saí em férias em junho desse ano e quando era hora de voltar, pedi demissão. Há quase um mês consegui um estágio na minha área e agora estou dando aulas de Inglês. Ótimo, posso dizer que estou começando uma carreira aos vinte anos. Só que nesse meio tempo não fiz as contas, achei que daria um jeito ou achei sei lá o que, mas agora estou com duas mensalidades da faculdade em aberto, só receberei em outubro, estou comprando itens de higiene pessoal no cartão de crédito, vou acabar usando o limite do cheque especial, estou com o celular bloqueado e creio que terei que mudar para um plano pré-pago agora.
Daí pensando nisso tudo, acho que inconscientemente eu sempre soube que seria difícil crescer, ficar adulta de verdade, assumir responsabilidades e ter consciência de que eu sou a única responsável pelos meus problemas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Calma, a vida só quer dar um susto


Você ouve aquelas palavras que você se recusa a acreditar que possam se tornar real. Não! A vida já te privou de coisas demais, e não tem o direito de fazer ela sofrer tanto assim diante dos seus olhos. A vida dela já foi suficientemente difícil.
Você não tem certeza de nada, mas sabe que Deus não faria isso com você, ou com ela. Você evita pensar no assunto, mas quando pensa, algo te diz que é um desses sustos que a vida dá pra fazer você valorizá-la mais, lembrar do que é importante, do quanto você ama as pessoas a sua volta.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Trava de insegurança

"Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta oportunidade, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço como o meu esqueleto. Então, vai apanhá-lo!"

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Lá estava eu diante de você, depois da espera ansiosa de semanas e a promessa de que tomaria uma atitude, estava frente a frente com você. Mas antes mesmo de você chegar eu já estava travada. Talvez seja o sentimento por você, o medo, a vontade, o nervosismo, mas você me deixa meio sem ação às vezes. Eu ouvi quando as suas chaves fizeram barulho, e todos que já estavam lá disseram ‘finalmente!’. Então você veio chegando, e quando me disse ‘oi’ e fez menção de me dar um abraço eu estendi a mão pra você e disse ‘E aí?!’, naquele momento eu vi que toda aquela conversa de eu tomar uma atitude, correr atrás e tentar tinha descido pelo ralo. E pela primeira vez doeu, porque não bastava ter você por perto, eu queria algo mais. Alguém pra quem eu falei dessa história me disse que nós nunca daríamos certo se um dos dois não tomasse a iniciativa. Depois eu te abracei, tentei falar, as palavras não saíram e eu recuei. Queria que você tivesse feito alguma coisa, mas você é que nem eu. Quando você colocou as mãos no meu ombro e disse para eu ficar tranquila eu fiquei com vontade de te abraçar de novo, mas já estava tudo meio confuso, e eu tinha medo de uma rejeição. É isso que você faz comigo. Me faz um bem tremendo, mas aciona em mim uma trava de insegurança.

Vinte anos na última segunda-feira. Velhos e novos sonhos se misturam com emoções novas e medos novos. A vida segue, afinal de contas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

(Not) Alone


Foi um dia longo no fundo do monte
Ela morreu de um coração quebrado
Alice In Chains - Alone

Aquele dia em que você apareceu as portas estavam encostadas, para se protegerem desses perigos externos, que podem fazer feridas internas. Mas quando você chegou, trouxe consigo um vento que abriu essas portas com a força de um vendaval. Você as escancarou. Aí entrou um pouco, pra tomar um café e bater um papo. Colocou um pouco de coisas bonitas por aí, tinha um pouco de esperança, muita alegria e aquilo que eu deveria sequer ter deixado você desembrulhar, a expectativa. Você colocou tudo isso sobre a mesa de centro, me mostrou todo o seu lado bom, me fez rir e me sentir bem. De repente, quando eu achei que o melhor momento estava chegando, você levanta e some. Foi alguma coisa que eu disse? Foi alguma coisa que eu não disse? Eis o que eu fico me perguntando. Todas aquelas coisas que você deixou sobre a mesa de centro continuam ali, só que elas não brilham mais, estão opacas, murchas, e só voltarão a reluzir quando você voltar. E por favor, quando voltar, traga meu coração de volta. Porque eu nunca fui do tipo que corre atrás, mas você faz a alternativa parecer válida, porque eu preciso resgatar meu coração, ou ir de encontro ao seu.




sábado, 16 de julho de 2011

Labirinto

Não sei o que fazer quando constato que me perdi de mim mesma na minha própria bagunça. Tempo livre foi arduamente desejado, agora que o tenho, não sei como preenchê-lo. Eu precisava fazer o que fiz, do contrário ficaria sempre com o eterno “e se...” martelando no meu pensamento.
O fato é que sou uma bagunça, daquelas que não se sabe por onde começar a arrumar.
E sabe o que me dá mais raiva? Eu sempre acredito, confio e me apego às pessoas, mesmo sabendo que isso acaba com um aperto no coração, e na verdade, eu só queria que não acabasse.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Já (vi)vi essa cena antes


Lá estava eu no provador da Marisa, contente pelos números que couberam em mim. Não, ainda não sou uma magérrima, mas diminuí consideravelmente o tamanho do manequim, e consequentemente de todo o resto. Saio do provador, uma menina está saindo na minha frente, deveria ter cerca de 15 anos, e reparei que ela quase atirou as roupas em cima da funcionária, parecendo um tanto quanto estranha, dizendo que não ia levar nenhuma peça. Quando ela saiu do provador, a família dela estava ali na porta, esperando o resultado. E aí? Nenhuma serviu. Nenhuma?!?! Perguntou a mãe, parecendo não acreditar. A garota desabou a chorar ali, na frente do provador, na frente de todos. Eu já tinha saído de lá levando uma blusa, deixando uma calça e uma bermuda por questões financeiras, mas eu queria ter tido a audácia e a coragem de ir até aquela menina pra dizer o quanto ela era bonita, e pedir pra que não se odiasse, ou descontasse a raiva na pele ou em um prato de comida. Espero que ela encontre uma maneira de se sentir melhor consigo mesma.

Já não sou mais uma funcionária do comércio. Troquei o emprego por um estágio que não é na minha área, mas foi a janela para a minha saída. Aquela loja estava me matando. Mesmo assim, acho que estou numa fase onde a maioria das coisas é provisória. Apesar da liberdade, a readaptação não é de todo fácil, mas eu consigo, e seguirei continuando.

Percebi que a correria da faculdade e a falta de tempo de conciliar isso com trabalho me mantinha afastado do meu eu que acaba comigo. Até mesmo achei que tivesse acabado com esse meu lado, agora nas férias da faculdade e com mais tempo devido a carga horária e localização do novo estágio, percebo que todos os monstros que eu pensei ter aniquilado, estavam escondidos ao meu lado.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Errar É Aprender

Quantas vezes já não desejamos a chance de poder voltar no tempo pra fazermos as coisas diferentes, consertando o erro e agindo com a maturidade que o tempo e o peso da culpa nos deram. Será que conseguiríamos fazer direito mesmo? Ou acabaríamos tropeçando em novas pedras? E se a pressão for superior a maturidade? E se as dificuldades cegarem os olhos da beleza do presente?

Não sei... Talvez eu tenha essa oportunidade, talvez Papai do céu tenha realmente cansado da minha choradeira, e eu vou mostrar pra Ele o quão grata fiquei. Em contrapartida, já estou enchendo os ouvidos d’Ele, implorando por força, paciência e serenidade.

Valeu.

sábado, 18 de junho de 2011

Na trave


Às vezes parece que uma parte de mim carrega tudo aquilo de ruim que eu já deveria ter superado. Coisas que começaram lá na infância, e já deveriam ter sido apagadas, ou ao menos arquivadas em alguma sala do meu eu que ficasse esquecida. Mas nos momentos em que eu deveria superar momentos traumáticos e me dar o direito de ter qualquer coisa que eu quisesse ter, eu travo, viro as costas, fico sem ação, sou fria e impulsiva.
Esse ritmo frenético de fim de semestre no fundo, no fundo, me ajuda, porque quando eu estou lá na biblioteca com a cara afundada no meu material de Linguística, eu consigo não pensar nisso. Quando estou preparando meu trabalho de Estudos Literários não tenho tempo pra pensar no “e se...” ou no “será que vai?”. Mas enquanto estou em casa, tudo que posso fazer é tentar fugir de mim mesma entrando em alguma história qualquer de um livro que chame mais a minha atenção do que essas minhas questões todas.


sábado, 7 de maio de 2011

O limiar do consciente



Eu queria não me preocupar, mas não consigo nem visualizar isso acontecendo. Quando eu cumprimento uma pessoa e converso com ela, fico imaginando se ela está ou não reparando na minha barriga. Quando vou fazer uma prova sempre penso se algum colega vai reparar no meu quadril esparramado na cadeira. É difícil fazer tudo o que eu gostaria de fazer nessas condições, mas há momentos em que consigo esquecer, raros momentos, e agradeço as pessoas que me ajudam a esquecer, queria poder dizer isso à elas.

Passei mal durante uma prova nessa semana. Não, eu não deixei de comer, ao contrário, andei comendo mais do que o normal, talvez isso sim tenha contribuído para o que ocorreu. Suei frio e saí da sala de aula antes de conseguir terminar a segunda questão. Não sei se vou pra recuperação, se vou refazer a prova, também não estou me remoendo por causa disso, mas foi um momento chatíssimo.

No trabalho estou no meu limite, mas dentro de um mês entro em férias, talvez o descanso me ajude a aguentar um pouco mais, mas só um pouco, porque lá onde estou não é o meu lugar, é provisório.
Estou cansada e sem tempo, mas não esqueço desse lugar, tão realmente meu...
Apenas um comentário sobre a foto acima: Decidi parar de vomitar, isso nunca fez efeito pra mim, nem qualquer um dos tratamentos certinhos aos quais tentei me submeter. Mas chega de vômitos.

sábado, 23 de abril de 2011

Em época de páscoa, ressurge uma crise compulsiva...

...Mas acho que matei a minha.

Numa enchente novamente

A mesma velha viagem de volta

Então eu cometi um grande erro

Tentei vê-lo uma vez do meu jeito
Alice In Chains- Would?

Meu feriado terminou no sábado, e não na segundo como para a maioria das pessoas. Vida de comércio, mas é por pouco tempo ainda. Quinta e sexta, os dois dias que eu tive e planejei descansar, estudar e assistir uns DVDs passaram voando, e eu não estudei, não assisti nenhum DVD e não descansei como eu queria, foi uma mistura de visita surpresa, porém querida, com falta de organização da minha parte. O tempo passou como um rápido sopro de vente em uma tarde de verão. A ansiedade era grande, e para a minha surpresa, ganhei um ovo de páscoa de uma tia minha, e comi metade do ovo na quinta-feira e a outra metade dividi com a minha mãe na sexta. Hoje, sábado de aleluia, ao chegar em casa, não tinha fome, mas uma vontade enlouquecida de comer. Fizemos cachorro-quente, comi um e meio em questão de dois minutos. Não achei isso certo, não agora, que eu estou chegando cada vez mais próxima à magreza, não agora que as pessoas já não me olham mais como a gorducha, não acho agora que eu me sinto melhor. Queria não ter feito isso, mas apelei para um velho método de eliminação de comida, e lá estava eu, tentando não ouvir toda aquele barulho, liguei uma música no celular, a trilha do vomito era Alice In Chains tocando Would. Uma vez. Pouco. Duas. Pouco, ainda. Terceira. Foi quase o suficiente, mas faltava ainda alguma coisa. Na quarta vez não consegui mandar tudo embora, mas uma grande parte foi, aquilo que tinha me deixado estufada demais.
Não me arrependo, porque eu teria me arrependido se não o tivesse feito, se segunda-feira, ao me arrumar pra ir pro trabalho eu fosse vestir minha calça jeans favorita, e ela ficasse apertada, ou se eu me olhasse no espelho e percebesse ele mais redondo, aí sim eu me arrependeria. Vou tentar melhorar de agora em diante, evitando esse tipo de compulsão, mas nesse momento, eu me recuso a ficar com os excessos.

domingo, 10 de abril de 2011

Há que se ter algum descontrole (?)


Em relação à comida tudo está indo tranquilamente, pode-se dizer. Os pecados aos poucos tornam-se casos isolados. Mas parece que algo nesse sistema necessita estar sempre fora de controle, em ebulição ou tempestade. Quando não estou comendo, estou me machucando, quando não estou me machucando estou chorando, quando não estou chorando não consigo parar de rir, ou então desato a falar, como se fosse perder a voz para sempre a qualquer momento, e aquela fosse a única chance de colocar pra fora certas coisas que eu deveria manter pra mim, e só pra mim. Por mais que eu os ame e eles sejam meus amigos, eles não precisam saber de certos sentimentos meus em relação a mim mesma e ao mundo todo, mas eles ficaram sabendo de algumas coisas, e comentaram o fato de eu ser tão extrema. “Tem dias que parece que está morrendo, e tem dias que acorda com a corda toda.” Foi o que um deles disse. Mas eu contestei, afinal, não somos todos mais ou menos assim, seres humanos com seus picos, seus altos e baixos, alegrias e tristezas, medos e coragem? É, eles concordaram, ninguém precisou falar, mas eu pensei, e provavelmente eles também, que a maioria das pessoas se reservam mais nos seus momentos. Bom ou ruim, eu acho que não sou como a maioria.