sexta-feira, 29 de julho de 2011

Trava de insegurança

"Então, pequena Amélie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta oportunidade, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço como o meu esqueleto. Então, vai apanhá-lo!"

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Lá estava eu diante de você, depois da espera ansiosa de semanas e a promessa de que tomaria uma atitude, estava frente a frente com você. Mas antes mesmo de você chegar eu já estava travada. Talvez seja o sentimento por você, o medo, a vontade, o nervosismo, mas você me deixa meio sem ação às vezes. Eu ouvi quando as suas chaves fizeram barulho, e todos que já estavam lá disseram ‘finalmente!’. Então você veio chegando, e quando me disse ‘oi’ e fez menção de me dar um abraço eu estendi a mão pra você e disse ‘E aí?!’, naquele momento eu vi que toda aquela conversa de eu tomar uma atitude, correr atrás e tentar tinha descido pelo ralo. E pela primeira vez doeu, porque não bastava ter você por perto, eu queria algo mais. Alguém pra quem eu falei dessa história me disse que nós nunca daríamos certo se um dos dois não tomasse a iniciativa. Depois eu te abracei, tentei falar, as palavras não saíram e eu recuei. Queria que você tivesse feito alguma coisa, mas você é que nem eu. Quando você colocou as mãos no meu ombro e disse para eu ficar tranquila eu fiquei com vontade de te abraçar de novo, mas já estava tudo meio confuso, e eu tinha medo de uma rejeição. É isso que você faz comigo. Me faz um bem tremendo, mas aciona em mim uma trava de insegurança.

Vinte anos na última segunda-feira. Velhos e novos sonhos se misturam com emoções novas e medos novos. A vida segue, afinal de contas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

(Not) Alone


Foi um dia longo no fundo do monte
Ela morreu de um coração quebrado
Alice In Chains - Alone

Aquele dia em que você apareceu as portas estavam encostadas, para se protegerem desses perigos externos, que podem fazer feridas internas. Mas quando você chegou, trouxe consigo um vento que abriu essas portas com a força de um vendaval. Você as escancarou. Aí entrou um pouco, pra tomar um café e bater um papo. Colocou um pouco de coisas bonitas por aí, tinha um pouco de esperança, muita alegria e aquilo que eu deveria sequer ter deixado você desembrulhar, a expectativa. Você colocou tudo isso sobre a mesa de centro, me mostrou todo o seu lado bom, me fez rir e me sentir bem. De repente, quando eu achei que o melhor momento estava chegando, você levanta e some. Foi alguma coisa que eu disse? Foi alguma coisa que eu não disse? Eis o que eu fico me perguntando. Todas aquelas coisas que você deixou sobre a mesa de centro continuam ali, só que elas não brilham mais, estão opacas, murchas, e só voltarão a reluzir quando você voltar. E por favor, quando voltar, traga meu coração de volta. Porque eu nunca fui do tipo que corre atrás, mas você faz a alternativa parecer válida, porque eu preciso resgatar meu coração, ou ir de encontro ao seu.




sábado, 16 de julho de 2011

Labirinto

Não sei o que fazer quando constato que me perdi de mim mesma na minha própria bagunça. Tempo livre foi arduamente desejado, agora que o tenho, não sei como preenchê-lo. Eu precisava fazer o que fiz, do contrário ficaria sempre com o eterno “e se...” martelando no meu pensamento.
O fato é que sou uma bagunça, daquelas que não se sabe por onde começar a arrumar.
E sabe o que me dá mais raiva? Eu sempre acredito, confio e me apego às pessoas, mesmo sabendo que isso acaba com um aperto no coração, e na verdade, eu só queria que não acabasse.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Já (vi)vi essa cena antes


Lá estava eu no provador da Marisa, contente pelos números que couberam em mim. Não, ainda não sou uma magérrima, mas diminuí consideravelmente o tamanho do manequim, e consequentemente de todo o resto. Saio do provador, uma menina está saindo na minha frente, deveria ter cerca de 15 anos, e reparei que ela quase atirou as roupas em cima da funcionária, parecendo um tanto quanto estranha, dizendo que não ia levar nenhuma peça. Quando ela saiu do provador, a família dela estava ali na porta, esperando o resultado. E aí? Nenhuma serviu. Nenhuma?!?! Perguntou a mãe, parecendo não acreditar. A garota desabou a chorar ali, na frente do provador, na frente de todos. Eu já tinha saído de lá levando uma blusa, deixando uma calça e uma bermuda por questões financeiras, mas eu queria ter tido a audácia e a coragem de ir até aquela menina pra dizer o quanto ela era bonita, e pedir pra que não se odiasse, ou descontasse a raiva na pele ou em um prato de comida. Espero que ela encontre uma maneira de se sentir melhor consigo mesma.

Já não sou mais uma funcionária do comércio. Troquei o emprego por um estágio que não é na minha área, mas foi a janela para a minha saída. Aquela loja estava me matando. Mesmo assim, acho que estou numa fase onde a maioria das coisas é provisória. Apesar da liberdade, a readaptação não é de todo fácil, mas eu consigo, e seguirei continuando.

Percebi que a correria da faculdade e a falta de tempo de conciliar isso com trabalho me mantinha afastado do meu eu que acaba comigo. Até mesmo achei que tivesse acabado com esse meu lado, agora nas férias da faculdade e com mais tempo devido a carga horária e localização do novo estágio, percebo que todos os monstros que eu pensei ter aniquilado, estavam escondidos ao meu lado.