domingo, 20 de novembro de 2011

Enquanto isso na cafeteria da faculdade...

Começamos o mesmo curso no semestre passado e nunca fomos muito próximas, ao contrário, ficávamos pouco a vontade uma com a outra. Eu, na maioria das vezes agitada, cheia de ideias, planos e conversas. Ela sempre calada, dizendo que achava estranho pessoas que nem eu que começavam a cantarolar alto em público.

No começo desse semestre lá estava eu, sentada naquele banco com os fones, ouvindo Smiths quando ela chegou, e pra quebrar o gelo cantei um pedaço da música, e foi aí que começamos a conversar mais, porque ela também gosta muito dessa banda que encanta tímidos, desastrados, frustados, realistas e deprimidos. Cerca de dois meses depois, na semana passada, esse diálogo:

-Essa dor nas costas que não passa. Tomo o analgésico mas nem adianta mais. Às vezes quando a dor fica forte assim eu penso besteiras...

-Como o que?

-Ah sei lá...

Silêncio.

-Bom.. Ah Marcy, acho que contigo posso falar disso.

-Como assim?

Ela aponta para o meu braço.

-Quando a dor fica muito forte, eu penso que uma outra dor pode aliviar a dor que eu sinto. E sabe, eu estou te falando isso porque sei que tu não vai me julgar...

-É, acho que tu já percebeu que eu não sou ninguém pra julgar.

-Por isso que quando o pessoal fica falando que tu faz essas coisas eu nem falo nado, porque só quem passa por isso entende.

E ficamos ali, conversando uns dez minutos sobre isso. Há duas ou três semanas uma colega segurou meu braço e perguntou sobre, e agora sou alvo de olhares discretos para o meu braço, que anda mais escondido. Saí em lojas a procura de pulseiras e munhequeiras. Não, não é um estilo, é covardia.

E sabe o que é pior? Eu sei que vai acontecer de novo, porque essa é a válvula que diminui o peso da minha culpa.


Quantas vezes a palavra dor apareceu nesse post? É algo presente nos últimos tempos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Things were different then, all is different now

Tear into yourself cuttings on your arm
Heart-a-beatin', tickin' like a bomb
After having seen all that they saw
It's hard to imagine, it's hard to imagine.

Hard To Imagine - Pearl jam


Uma mãe desiludida. Uma irmã inconsequente. Eu desiludida, ou talvez apenas acordada, no mundo real. O melhor show da minha vida, com meu melhor amigo, aliás, obrigada por existir meu irmão, ainda que você não leia isso. Obrigada Eddie Vedder, por uma das vozes mais lindas do mundo. A minha fome de vida e a minha sede de emoção. A minha loucura, o meu desespero, a minha confusão, os meus sonhos, o meu cansaço, o medo da solidão.

Essa não sou eu, essa é o que eu estou me tornando, ao menos a parte referente ao lado ruim. O medo e a desilusão em especial. Eu sei que as coisas precisam mudar. Eu sei...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Of course Mamma will gonna help to build the wall

-Conversar só comigo cansa Marcy. Eu não sei o que se passa contigo, tu não conversa mais com a gente, está distante, parece sempre irritada.
-Desculpa se eu pareço fria e insensível mãe, mas tem uma parte ruim em mim, no meu sangue eu acho, e não posso fugir disso. Tu deve saber...


Parece que é sempre dessa forma que os diálogos entre eu e minha mãe tem terminado. Eu a amo, isso é inquestionável, mas uma parte de mim está saturada dessa casa, dos mesmos problemas, da falta de vontade minha e dela. E parece que há uma espera por desgraça, pra daí poder colocar a culpa no destino por toda essa imobilidade, pelo nada.
Eu sempre fui uma guria de fé, cheia de esperanças e sonhos, que parava pra pedir ajuda à Deus sempre que precisava, e acreditava sempre ter a ajuda pela qual pedia. Quando era hora de agradecer agradecia. Há algum tempo já não consigo rezar. Creio que a última vez que isso aconteceu foi em Setembro, no velório da minha avó, e me sinto de alguma forma decepcionando-a. Ela sempre pedia que eu conversasse com Deus, e me lembrava de que quando eu estava voltando da faculdade para casa tarde da noite, um anjo estava ao meu lado, com a atenção redobrada pelos pedidos dela. Na última vez em que a vi ela pediu que eu orasse por ela, e que ela não tinha muita força para mais nada, mas sempre que conseguia manter a mente acordada, rezava por mim. Eu sabia que era a última vez. Um pouco de mim foi enterrado naquela cova.


Eu não tenho nada para oferecer à ninguém, exceto minha própria confusão.

Jack Kerouac


O lado bom da vida será nessa sexta, 11/11/2011, vou assistir Pearl Jam em Porto Alegre.