domingo, 29 de janeiro de 2012

Juntando os pedaços


Resolvi pegar o lado dramático da vida e tentar mostrar pra ele quem é que manda aqui. Chega de tantas lágrimas, chega de panelas de brigadeiro no quarto, chega de excesso de laxantes, chega de tanta paranóia, chega de fritura às 4 da manhã. Chega de ficar bêbada três vezes por semana. Chega de machucados.
Há certas culpas que nunca irão me abandonar, sentimentos e memórias que me farão lembrar dos meus erros, do meu abandono, do meu fracasso. Mas afinal, chorar e bancar a vítima não vai ajudar em nada, ao contrário, dessa forma só seguirei fazendo mais gente infeliz. Está na hora de tentar me ajudar e ajudar as pessoas que eu amo, uma vez que não posso voltar atrás com quem eu falhei e já se foi. 


Tenho absoluta consciência de que esse meu surto de realismo e força de vontade não será eterno, mas quando eu desanimar, vou respirar fundo, pegar um filme com a Audrey Hepburn, chorar um pouco e em seguida, como se fosse ela, levantar a cabeça e seguir em frente.

sábado, 28 de janeiro de 2012

De uma forma ou de outra, uma dose de sofrimento

"Isso não é vida."

Foi o que a minha mãe me disse quando eu acordei meia-noite para dar início às minhas atividades não tão diárias. 


Também acho que não é vida, mas talvez eu prefira assim, porque ver ela se destruindo durante o dia dói, sabe. Em uma conversa com lágrimas e sinceridade disse que ultimamente tem doído olhar pra ela, ver como ela se entregou, e a recusa dela em buscar ajuda junto com o complexo de vítima, sempre procurando algo para culpar os problemas dela. Ok, não acho que a vida dela tenha sido um mar de rosas, mas pra que remoer passados, pra que buscar tanta tristeza e se jogar de cabeça na dor e na mágoa?!?!

Mas olha quem fala, eu tenho seguido o exemplo de forma impecável.

Ao menos ela foi no médico, só não sei se dará continuidade ao tratamento ou se vai escolher sofrer e ir morrendo aos pouquinhos, me levando junto, porque se não há a vida, é porque falta uma razão para correr atrás e viver um pouco, e por mais que me digam que eu não posso valorizar tanto isso e aquilo, ela é uma razão, a de maior importância na minha vida. E como eu disse, se não há vida não há uma razão.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A síndrome do provador frenético



Não sei se esse tipo de estupidez só acontece comigo, só sei que dei um nome. Síndrome do provador frenético.
Quem já foi ou é acima do peso sabe o quão deprimente é aquele momento em que você enxerga uma roupa, se apaixona e ela não serve, e não, eles não tem um número maior. Isso é uma droga, e faz com que você se sinta um lixo. Já passei por isso, tanto é que nos últimos dez anos quem compra minhas roupas é minha mãe, sim isso mesmo, e olha, ela me conhece muito bem, acerta 99% das vezes. OK. Em novembro e dezembro resolvi olhar as vitrines, entrar em lojas, superar esse pânico de ir as compras. Tinha em mãos uma arma perigosa, mas claro que eu não percebi isso. Uma arma com chip, senha e um limite para o qual eu não tinha preparo para lidar. Não sei a razão pela qual o banco liberou aquela porcaria. Eu estava em uma situação financeira melhor também, não imaginei que em dois meses eu ficaria lisa. De repente aquele vestido lindo entrou, e eu fiquei com medo de roupa nenhuma de outra loja servir, e levei o vestido. Depois outro vestido de outra loja coube. O mesmo medo, então pra que pensar demais? Comprei o outro vestido! E isso se repetiu algumas vezes, em algumas lojas. Estourei o cartão, tive outras despesas, fiquei sem dinheiro e a fatura chegou. Como vou pagar? Não sei, a princípio não vou conseguir pagar nem o mínimo. E o mais engraçado disso tudo é que lá no fundo eu pensei: “Azar, tenho as minhas roupas, elas serviram em mim.”
Mas poxa Marcy, o que te deu pra fazer um desabafo no maior estilo Becky Bloom? É que isso só me fez ver o quanto os transtornos alimentares estão presentes e atrapalham tudo na nossa vida. Não é só a questão social, psicológica, familiar e de saúde, é uma questão financeira também. Não fosse tamanha insegurança eu teria ficado satisfeita com uma roupa, até porque só usei um dos vestidos uma única vez! E o pior: Tenho tido tantas compulsões ultimamente que ando com medo de que eles fiquem apertados. Hora de correr atrás e choramingar menos. 




Semana que vem trabalho novo. Não vou pensar nisso como um passo para trás nem como um passo para frente. É algo que eu tive que fazer, ponto. Também vai ser bom me ocupar, trabalhar oito horas por dia, cansar. E depois, hora de pagar as contas.

Morrissey, meu cantor favorito dos favoritos dos favoritos vem ao Brasil, vem à Porto Alegre, e se tem algo do qual eu NUNCA me arrependi, é da grana gasta em shows. Então uma boa parte do meu primeiro salário no novo emprego será destinada a compra do ingresso. Que sonho.




*_*

sábado, 21 de janeiro de 2012

Utopia


Às vezes meu maior desejo é poder começar amanhã, assim do nada, uma vida nova, em outro lugar. Excluir minhas contas em redes sociais, arranjar um empregro qualquer que me sustente, me ocupe e me canse, chegar em casa de noite, sozinha, pronta para tomar um banho, assistir um DVD e dormir.
Esquecer as pessoas que eu magoei e as que me magoaram e levar só o lado bom dos dias de hoje. Ligar para os amigos toda semana, pra família e fazer uma visita de vez em quando.
Como a convivência com as pessoas além de inevitável algumas vezes é agradável, tentaria ser uma Marcy diferente, ainda que isso fosse um trabalho árduo, não deixaria que as pessoas ao meu redor descobrissem a pessoa absolutamente insegura, neurótica e medrosa que eu sou. Tentaria ser o mais normal possível, normal até demais.

Ok, hora de voltar pra realidade. Voltar e não fazer nada, porque encará-la está difícil.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

No Future (?!)




Vinte anos, dependente de remédios controlados. Não era essa vida que eu esperava ter. Para depressão, controle de apetite, falta de sono, ansiedade... eles estão comigo desde os catorze anos, e agora que fiquei sem, me dei conta da dependência. Daí eu estou ali, pensando em reagir, sem conseguir, encolhida no meu colchão, sentindo que se eu tivesse alguns, só alguns comprimidos para me dar um impulso, por algumas semanas, seria muito mais fácil. Mas eu teria que passar por esse momento uma hora ou outra, mas está difícil. Dormir das 6 da manhã até 7 da noite não é vida.
Eu me pergunto como vou sair dessa, se vou, e as sequelas que vou levar disso tudo.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Família


As coisas estão acontecendo de uma forma assustadoramente devastadoras. De uma hora para outra, minha família, que sempre foi desestruturada porém unida, se quebra a olhos vistos. Pequenas rachaduras se transformando em crateras, eu me sentindo de braços atados. Minha mãe se jogando em um buraco profundo, minha irmã -agregada, porém irmã- traçando para si mesma um destino difícil, e eu aqui, desesperada, sem saber o que fazer direito. Resolvi tomar uma atitude. Disse à ela as palavras mais amargas que eu poderia dizer para alguém em toda a minha vida. Falei da amargura da nossa mãe, sim, porque apesar de ela se considerar filha de ninguém pelo fato de não ser filha biológica, ela é nossa mãe e minha irmã, e mesmo que ela me odeie por isso, eu vou lutar por ela e não vou deixar ela se enterrar em um buraco, levando junto nossa mãe.
Don Corleone ficaria orgulhoso de mim... foi o que pensei, com aquela gargalhada interna que temos em momentos de desespero. Mas é a vida, afinal. Sei que um dia a raiva dela vai passar, mas a lembrança não. Nunca passa, eu bem sei. Espero que ela me perdoe e faça um exame de consciência. Palavras machucam, e eu a machuquei com palavras, mas espero que algum dia ela perceba que foi para o bem dela.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre como eu me sinto



Enquanto os braços cicatrizam indicando uma pausa daquilo tudo, os cortes na perna, ainda vermelhos, lembram que algo dói, mas não na pele, esta dor provocada pelos cortes é superficial. O que dói mesmo é um corte profundo e invisível, bem fundo, lá na alma.

Você sente que perdeu o controle e pensa em maneiras de lidar com isso, ou em como reverter essa situação. Enfiar o dedo na garganta e a cara na privada parece uma boa solução. Algo dentro de você dá uma gargalhada alta.

Você está lá, suando frio, enquanto pensa em como fugir do mundo. Olha as cicatrizes velhas em cima de cicatrizes novas... há um contraste na região do joelho. Você tem cicatrizes de infância que lembram momentos felizes. Aquele tombo que você levou enquanto brincava, e o curativo cuidadoso que a sua avó fez. Logo acima riscos lineares e precisos, retos, feitos há pouco tempo atrás com uma lâmina qualquer no ápice da sua tristeza.

Você se olha no espelho e sente uma combinação de sentimentos... nojo, vergonha, medo, raiva. Por alguns instantes tudo o que você mais deseja é ser aquela criança com o joelho sangrando em um momento rotineiro de alegria interrompido por um episódio isolado de dor, diferente da sua vida atual, onde a tristeza tem sido rotineira, com momentos raros e isolados de alegria.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Contradições



Foi agora, nesse exato instante  (04h:01min), apalpando a minha barriga e sentindo o tamanho do estrago causado pela comilança dos últimos dias que me dei conta de que preciso fazer algo para reverter esse quadro, e para tanto, vou ter que optar por algo que, como uma espécie de superstição maluca, eu detesto: Fazer um planejamento.

Se você me conhece há algum tempo sabe que eu sou um daqueles casos onde basta planejar para as coisas saírem do controle, mas como ir levando ultimamente não tem adiantado, eis o que resolvi, de acordo com os limites que conheço em mim e com os períodos onde sinto mais apetite:
(Lembrando que eu nunca tive anorexia, portante você não verá um LF no cardápio que segue.)

Manhã:
Um copo de suco

Almoço:
Uma carne, um legume e salada

Tarde:
Um sanduíche ou leite com cereal

Noite:
Sopa ou uma fruta leve

Dependendo do meu tempo e disposição, o almoço pode virar a refeição da tarde e vice-versa.




Estou com tanto medo do rumo que a minha vida está tomando, mas um medo tão grande, que me congelei de tal forma que sequer me preocupo com o amanhã, desde que eu não esteja gorda.