quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não nasci para ser Don Corleone

Coloquei ela como "irmã" entre aspas, dizendo que ela não significava mais nada pra mim. Senti raiva, disse à ela coisas que deveria ter mantido comigo, coisas de momentos de raiva, desespero e cabeça quente. A decisão foi tomada, e hoje ela está voltando para a casa do pai, com suas irmãs biológicas, onde ela nunca morou, só esteve como visita, passando férias. O período determinado foi "um ou dois anos", mas eu sei que a possibilidade dela voltar a morar aqui é muito pequena.
Mas percebi o quanto a amo, e o quanto lamentei a perda dela, pela segunda vez vejo a minha irmã se mudando, e eu estou morrendo por dentro, da mesma forma como morri com essa história cerca de dez anos atrás.


Decidi que não deveria pedir desculpas, mas pedi que ela aceitasse um presente meu que eu usava nas horas difíceis, para rir e esquecer dos problemas. Dei à ela minha semi-coleção (faltam alguns DVDs) do seriado Friends, que ela adora tanto quanto eu. Nesse momento todo meu esforço par segurar as lágrimas na frente dela foram pelo ralo, e eu chorei como em poucas vezes o fiz na minha vida. Ela me deu um abraço, e a minha vontade foi que aquele momento durasse para sempre. E pedi desculpas pelas palavras duras de domingo. Sim, pedi desculpas.


Somos irmãs, ainda que não de sangue, e nos amamos com nossos erros e acertos, e vamos passar pela segunda separação mais difícil das nossas vidas, e um pedaço de mim está morto.
Ela tem quatro anos antes de terminar a escola (ensino médio e cia), e é esse o tempo que eu tenho, quatro anos, para me ajeitar em todos os sentidos, abrir uma poupança que servirá como fundo de faculdade para ela, pelo menos para um primeiro semestre, considerando as reais condições de vida de um ser humano de classe média baixa como eu. Mas vou trazê-la de volta.
Eu disse para uma amiga que a minha fé tinha morrido, junto com meus sonhos, mas acho que isso não está bem certo, porque todos os dias eu vou rezar para que ela realmente amadureça aqueça cabeça de vento enquanto estiver lá, e possa voltar depois para cumprir a missão dela de uma maneira honrosa, assim como eu quero cumprir a minha.



Agora seremos só eu e a minha mãe, que aliás, prometeu que vai cuidar um pouco mais de si mesma. Sei que dias difíceis virão, sei que eu vou querer morrer, me cortar, apenas dormir, me isolar. Mas no meio de todo esse lixo no qual a minha vida se encontra encalhada, espero tirar forças de algum lugar. Talvez para isso eu precise inventar uma realidade paralela e fazer cosplay do Fantástico Mundo de Bobby, só sei que vou ter que arranjar uma forma de não me entregar de vez à inércia.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Consequências




Na sexta-feira minha "irmã" voltou de viagem, eu estava pronta para um recomeço, e para manter as coisas entre ela e minha mãe em paz.
Eu estava em um estado de nervos tamanho, e onde acabei descontando? Seis sanduíches, dois ovos mechidos e algumas fatias de pão avulsas. Não vomitei e a solução foi apelar para os laxantes e compensar comendo bem menos no dia seguinte. No sábado levei minha "irmã" em um piquenique -sem comida pra mim- com alguns amigos da faculdade. Estávamos voltando pra casa, esperando o ônibus, quando após uma leve tontura, tudo ficou preto, e de repente eu estava vendo um cara com um uniforme escrito "SOCORRISTA"  na minha frente, abaixado, pois eu estava caída no chão. Como eu mencionei, era sábado, e o ônibus demora a chegar nos finais de semana. Me trouxeram água e melhorei. Voltei para a fila. Em menos de um minuto toda aquela sensação voltou e a última coisa que eu ouvi foi "teus lábios estão brancos". Então de repente eu fui colocada em um banco, o ônibus chegou sem que eu percebesse, o cobrador desceu pra me ajudar, me empurraram refrigerante goela abaixo e implorei pra entrar no ônibus, porque de fato estava melhor.

Hoje já voltei a ter compulsões. E acho que aqui é o único lugar onde posso contar isso sem ouvir sermões ou conselhos envolvendo força de vontade e blablabla. Talvez morrer aos poucos seja parte escolha e parte fato consumado.




Por que "irmã" entre aspas? Se você não assistiu Poderoso Chefão e tem interesse não leia porque é spoiler. Mas quando o Fredo trai o Michel, e ele diz que o Fredo não significa mais nada pra ele, aposto que se ele tivesse um blog e se referisse ao seu irmão mais novo, ele usaria aspas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Nesses dias tão estranhos fica a poeira se escondendo pelos cantos"

Olhando a minha vida hoje, e olhando para trás, há uns seis meses, vejo mais regressões do que progressos.
Há seis meses eu estava na faculdade, iniciando uma carreira na área que eu amo, tendo um salário no fim do mês.
Agora tive que interromper esta carreira, trancar a faculdade, e para ajudar, estou de castigo aos vinte anos depois de chegar em casa de manhã cedo cambaleando, cheirando a álcool e vômito.




Vejo alguns progressos também, o principal deles é que pareço ter ligado o tal do foda-se. Não penso tanto no amanhã, apenas sei que preciso fazer minha parte para ter um pouco de felicidade nessa vida. Se estou fazendo, não sei.



Sempre tive essa relação não tão saudável e ao mesmo tempo muito boa com  a minha mãe. Temos nossas crises, principalmente quando eu preciso de privacidade e solidão. Outro dia falei para uma amiga que eu queria ter uma mãe, não uma melhor amiga em tempo integral, ou então uma mãe que parecesse tanto com uma filha. Pois bem, fui colocada de castigo. Um dia depois da sentença, que foi aceita sem problemas, porque isso só dura até eu receber meu primeiro salário no novo emprego, lá estava ela chorando, e eu dizendo pra ela levantar a cabeça e não dar bola para aquilo. Lembramos da minha vó e dos ensinamentos dela. Como faz falta aquela velhinha linda, e ela sempre me dizia que iria fazer falta, e sabia disso. Mas ela me ensinou muita coisa boa.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

She is back



Eu nunca pensei que diria isso em sã consciência, mas vou dizer, e vou levar em condideração que talvez eu não esteja e nunca irei estar em sã consciência. Três dias seguidos de vômitos. Não como antigamente quando eu deixava o estômgo vazio, vomitando até a última gota de qualquer gota que por lá estivesse. Não. Eu realmente não vejo nada contra comer um bolinho ou dois de lanche da tarde, mas agora quando você come uma bacia sem se dar conta, ao mesmo tempo sabendo que está fazendo a coisa errada, aí eu vou lá e vomito o excesso. No máximo cinco minutos no banheiro. Já passei da fase de ficar meia hora lá tentando eliminar até o último pedaço, então joguei fora apenas o excesso. Nunca pensei em dizer isso, mas me sinto bem assim. Prefiro esse caminho do que o caminho dos quilos extras na balança. Não é algo que eu recomendo ou deseje para ninguém, é simplesmente o meu caminho.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Considerações culposas



Tenho plena consciência que existem heróis no mundo que vivem sem braços ou pernas, sem a visão ou sem audição, e isso deveria me fazer sentir bem por estar em "perfeitas condições". Mas quer saber a verdade? Quer saber o que passa aqui dentro? Estou engordando, e a verdade é que prefiro morrer do que "viver" gorda. É simples assim: EU NÃO CONSIGO!
E não me venha com histórias de crianças que tem leucemia e optaram por vencer, ou por cadeirantes que vencem a maratona de não sei o que na raça. Eu não consigo ser assim, e já me sinto suficientemente culpada, e tenho consciência de quão fraca e hipócrita eu sou.
Minha pele voltou a se encontrar com uma lâmina. So deep.
Não dá pra continuar assim. Obviamente não vou afirmar minha covardia acabando com a minha própria vida e trazendo sofrimento para as pessoas que eu amo. Seria o cúmulo da desconsideração. Ao invés disso, vou me matando aos poucos, parece que esse é o meu rumo.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

I need a rest. I need to react.


Cansei de tudo, especialmente de mim. Mas antes era suportável, eu tinha alguma coisa qualquer que me dava um impulso, leia-se remédios. Agora cá estou. Não aguento mais a minha mãe procurando novas formas de ser uma vítima dessa vida, focando sempre nos problemas, jamais nas possíveis soluções. A minha irmã que à sete mil km de distância consegue importunar todo mundo. A minha impulsividade e o meu desespero. 
Quem eu tento enganar quando digo que quero ser feliz? 




Queria poder conversar com a minha vó agora, ouvir os conselhos dela, ouvir ela me dizendo pra não dar ouvido para as loucuras da minha mãe, dizendo que é mais uma fase que vai passar, me pedindo pra rezar pro anjo da guarda. Mas ela não está mais aqui. Maldito mês de setembro, maldita primavera que levou ela de mim.

Maldita sou eu, que estou transformando a minha vida em um grande lixão a céu aberto.
Maldita inércia, maldita falta de vontade, maldita falta de remédios.
Onde está a Marcy que costumava ver o lado bom das coisas?
Queria tirar um tempo de tudo, inclusive de mim. A começar por mim, porque eu me sinto




E que venha o outono, pois as estações de sol só me trouxeram lágrimas.