quarta-feira, 28 de março de 2012

O show do Roger, a música, os dias... Hakuna Matata.

O show do Roger Waters foi mais que incrível, sensacional e perfeito. Foi sem palavras. As longas horas de espera na fila valeram todo o sacrifício, quando  entramos e ficamos praticamente na grade da pista comum. Quando ele falou que escreveu The Wall achando que se tratava dele, mas na verdade The Wall se trata de Jean Charles de Menezes e tantos outros, eu me senti incluída aí. Traumas, isolamento, superproteção, revolta, etc. E durante aquelas horas de show esqueci de tudo, éramos eu e Roger, eu e The Wall, eu e a música, eu e meus amigos. Enfim, se tem algo que me faz viajar é a música, e se tem algo que me faz esquecer da vida  e recarrega minhas baterias é um show. 


Quando ao resto, não sei, cansei. Foram tentativas demais, a maioria delas falhas. Por isso resolvi não fazer nada, nem tentar. Acho que sempre me dei melhor fazendo as coisas assim, já que meus planos normalmente não seguem o curso desejado.  Então vou apenas levando a vida por enquanto, e seja o que for, que seja o melhor, quem sabe, ainda que essa possibilidade pareça um tanto quanto distante de mim, talvez até por opção, mas quem sabe da vida? Hakuna Matata.


sábado, 24 de março de 2012

Lembranças, histórias, marcas, saudade...


Vinte e quatro de março. Hoje completam seis meses que estou sem a minha avó por aqui. Engraçado... tem dias que parece que fazem apenas alguns dias, tem dias que parecem anos sem ela. Às vezes tenho diálogos com ela na minha mente, em algumas noites tenho sonhos com ela. Muitas noites, aliás. Ela me lançaria um olhar de reprovação se me visse nesse estado, prometi a ela que ficaria bem quando ela partisse, mas afinal, quando é que eu cumpro minhas promessas?  Lembro de cada momento com ela. Ela me ajudando a aprontar as coisas para a escola. Ela trazia achocolatado quentinho na cama para mim. Eu era uma criança da peste, diga-se de passagem. Quando a minha mãe estava em casa deixava eu assistir TV com ela até tarde da noite, e quando ela ia trabalhar, vovó me colocava cedo na cama, e não eram raras as noites em que eu fugia do quarto e ela vinha furiosa e cheia de graça me levar para cama novamente. Meu avô, marido dela,  morreu quando eu tinha cinco anos, ele era o máximo, apesar de ranzinza. Não vi ela derramar uma lágrima naquela época, ou cinco meses antes, quando a filha dela, mãe da minha irmã não-biológica faleceu. Ela era tão forte, mas tão forte. Almoços de domingo, reuniões no natal e páscoa, missas.  Dá pra acreditar que era sagrado ela fazer aqueles biscoitos natalinos com merengue e confeitos?!


O ano era 2000 e o mês Janeiro, não lembro o dia e nem faço questão de lembrar. Acordei com a minha mãe me sacudindo, dizendo para eu levantar que uma prima iria nos levar para a casa da minha tia, enquanto ela levaria minha vó para o hospital, porque aparentemente ela tivera um derrame. A partir daí começaram dias diferentes. Ela voltou debilitada, precisando de cadeira de rodas e muletas. Um dia eu estava correndo pelo pátio, quando uma tia me chamou, e disse que eu, por ser bagunceira, inquieta e irritante tinha ajudado a minha  avó a entrar naquela situação, e perguntou se, agindo daquela maneira, eu esperava fazer o mesmo com a minha mãe. Acabei contando para a minha vó algum tempo depois, e claro, ela me tranquilizou sobre isso. 

A partir de então, eu passei a cuidar da minha vó. Comecei preparando o café da tarde, logo aprendi como colocar ela na cama, como ajudar ela a se vestir, fazer almoço. Minha mãe, que antes tinha como único compromisso ir trabalhar, precisou assumir as rédeas da casa, uma tarefa árdua quando você tem outros seis filhos da sua mãe dando palpites, e tentando dizer a filha mais nova dela o que é certo e o que é errado. Minha mãe pirou bastante e eu me distanciei um pouco dela. Em compensação me tornei cada dia mais parceira da minha avó. Aprendi sobre os apuros que ela praticamente criança, passou nos anos finais da segunda guerra mundial, já que naquela época ela não sabia falar Português. Soube que ela pensou seriamente em se tornar freira. Descobri que ela aprontava horrores com os irmãos dela na infância.Ouvia assustada as histórias sobre o pai dela, um professor severo do tempo da palmatória, mas no fundo um cara legal. Olhar fotos com ela era como viajar no tempo e encontrar pessoas que eu sequer tinha visto pessoalmente.  Decidi que queria tirar fotos de todos os meus momentos importantes na vida.
Por volta de 2004 as coisas ficaram difíceis. Eu comecei a ter minhas crises, já estava andando de braços dados com a bulimia, começamos a brigar com frequência, mas sempre passou. De repente os dias, meses e anos correram, e em 2009, quando a minha mãe estava no fundo de uma depressão terrível, praticamente irreconhecível, vovó foi morar com uma tia, que vivia na rua do lado, mas em 2011 decidiu repentinamente se mudar. Comecei a ver minha vó uma vez por mês, e foi assim, sem abraços, que a vi partir. Na última vez em que a vi ela não estava 100% lúcida, e não canso de me lembrar que em meio a devaneios ela perguntou como estavam as aulas que eu estava dando, e disse que o pai dela ficaria orgulhoso de mim. E falou o que ela me falava TODAS as noites quando eu colocava ela na cama: “Reza Marcy. Eu estou sempre rezando por ti.” Só que dessa vez ela disse algo mais: “Reza por mim também, confesso que às vezes eu não tenho forçar para rezar como antes.”

Queria contar para ela sobre o show do Roger Waters amanhã, perguntar o que fazer com minha mãe, que está entrando em depressão novamente. Queria contar sobre as minhas trapalhadas em diversos sentidos da vida, ela tinha o dom de conseguir rir da maioria das coisas no final.  Queria ouvir dela que essa é só uma fase ruim que vai passar, porque aí eu teria certeza que é verdade.
Enquanto isso a “vida” segue, e preciso mudar essa que estou levando, se quiser voltar a chama-la de vida novamente.



sexta-feira, 16 de março de 2012

My Dark Side


Já comecei a escrever esse post umas três vezes. 
Os primeiros dias depois que a minha irmã foi embora de casa estão na lista dos piores dias da minha vida. Doeu mesmo, uma dor física, parecia que tinha alguma coisa apertando bem forte o meu pescoço e algo parecia me segurar na cama ou na cozinha. Descontei na comida todas as frustações da vida. Engordei. Pra valer. Só fui perceber o quanto eu engordei quando comecei a trabalhar duas semanas depois, e precisei usar calça jeans ao invés de pijamas. Algumas não entraram mais, o resto delas estão apertadas, desconfortáveis e feias. Calças que eu costumava usar com cinto. Mas ok, eu fiz isso comigo mesma, eu tenho que arrumar.
Sinceramente não sei se eu ou ela vamos ficar bem, só sei que lá ela está protegida do que/quem estava estragando a vida dela aqui. 
Parece que Deus queria isso há tempos. Na primeira vez, cerca de dez anos atrás, quando pareceu que ela teria que ir morar com o pai, minha mãe fez o possível e o impossível pra isso não acontecer. Ela não é minha irmã biológica, mas veio morar comigo quando tinha uns 7 dias de vida, e eu quase 5, então acho que não é difícil entender meu laço com ela. E pra falar a verdade, me sinto mais irmã dela do que as irmãs biológicas dela.



Eu estou em uma trabalho que eu detesto, fazendo algo para o qual eu não nasci, vendo a vida passar, esperando a morte chegar e fazendo drama. 
Me sinto deprimida, sozinha, triste, azarada, infeliz, hipócrita, cega, traidora, mas mais do que tudo, alguém que não dá valor para nada.


Já usei essa foto aqui no blog. Na primeira vez em que assisti esse filme entendi perfeitamente o que ela quis dizer com isso.

Obriga pelos comentários, irei respondê-los agora, com toda calma e atenção nos blogs de vocês.