quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Campo de batalha

Minha mente está uma verdadeira trincheira. 
De um lado um batalhão lutando em favor da pessoa cansada de tanto se cobrar, querendo mais é esquecer toda essa neurose e viver a vida. 
Do outro lado um batalhão insistente luta para que o espelho continue a ser seu maior inimigo e a insegurança sua conselheira constante.
Há um certo empate na maior parte do tempo, mas também há momentos do dia em que um dos lados se abala ou perde um combatente.
As manhãs normalmente são neutras, no início da tarde o batalhão que luta pela vida sempre sai na frente. Porém no fim do dia, já esgotados, sentindo a calça apertada ou absortos por revistas que fazem o espelho ter razão quando diz que você é um lixo, o batalhão da vida fica cansado e o da neurose ganha força total, e é aí que  velhas ideias surgem com tudo. Você tem as piores vontades, você tem uma recaída com os remédios, vontade de desistir de tudo e uma enorme tendência a ter uma compulsão alimentar, que você começa a perceber afinal, que é uma das formas que você usa para tentar se anular, e sequer sabe a razão.


Durante o sono, normalmente você não dorme, é assombrada em sonhos pelos barulhos dessa guerra interior. Quando você escuta o despertador tem esperança de que as coisas sejam diferentes e o batalhão da vida desfile vitorioso em um carro oficial, e se pergunta até quando essa guerra vai durar.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Como fazer uma bela tolice em cinco atos


1- Tenha a certeza de que alguém de quem você gosta está de mal com você.

2- Mude o número do seu telefone e trate de não passar este número para a referida pessoa.

(Pinte o cabelo de vermelho ultra intenso nesse meio tempo, tentando ver uma cara nova no espelho.)

3- Ceda a pressão da sua consciência e mande um SMS para a pessoa, avisando que o piquenique foi cancelado. (Na verdade você quer mostrar que não está nem aí.)

4- Receba uma resposta no seu novo número e descubra que às vezes as pessoas ficam sem crédito no celular e sem internet, e mais: Elas até tentam falar contigo quando fazem uma recarga, sem sucesso, porque você mudou o número, lembra?! E existem pessoas que não acreditam em qualquer imbecil que fala a primeira tolice mentirosa sobre você.

5-  Ria. Você foi idiota, tola e imatura. Sinta vergonha, com razão. Diga para você mesma que nunca mais fará isso, ainda que você mesma duvide disso. E principalmente, lembre-se dos potes de doce de leite e semelhantes que você devorava pra curtir a fossa e que isso não adiantou porcaria nenhuma, e mais: Você engordou por pura falta de ansiedade e falta de atitude.




domingo, 19 de agosto de 2012

Objetivamente falando


 Sem entrelinhas, sem frases subjetivas, tomei algumas decisões.
Sim, estou dependente de um certo inibidor de apetite e de um calmante. O inibidor acabou e é mais difícil de conseguir. Não fui atrás de outra caixa, decidi parar, mesmo sabendo que na semana que vem talvez eu tire R$50,00 da carteira para comprar uma caixa clandestina, que eu pagaria uns R$30,00 em uma farmácia  se eu tivesse receita.  Anteontem, logo na primeira noite sem, custei muito a pegar no sono, muito mesmo. Normalmente pego no sono pelas 20h30min, e anteontem passava das 2 horas quando olhei o relógio. E as 4h15min meu despertador tocou sem piedade. Enfim, não vai ser fácil. Depois trato de largar o calmante, que é mais fácil e já fiquei meses sem tomar e sem sentir falta. 


No trabalho: Psicopatas saindo dos livros. Abri o histórico da internet para excluir as bobagens que eu tinha olhado, isso em um domingo... eis a surpresa: No sábado, quando eu estava de folga, meu perfil foi visitado, seguido pelo perfil de alguns amigos meus que não tem nada a ver com o povo do trabalho. Bloqueei o pessoal lá, e a psicopata principal chegou no trabalho no dia seguinte e perguntou se eu tinha excluído o Facebook. As pessoas me dão medo.



Estou caminhando 4 km por dia, mas também tenho comido demais, mesmo (e também engordei um bocado nas duas últimas semanas, comendo doce de leite e me lamentando por tolices sentimentais.). Tomo café pelas 5 horas, depois passo a manhã inteira com fome, pelas 9 como alguma coisinha pra disfarçar, almoço ao meio-dia, chego em casa e depois de caminhar tenho fome. Pretendo aumentar para pelo menos 6 kms por dia, nem que eu divida em duas vezes.
Enfim... levando.



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mais do mesmo


Em casa: Melhorando...
No trabalho:  Pior do que nunca. Das cinco fofocas pipocantes do momento, estou envolvida em quatro. E na quarta fiz merda mesmo, mas ninguém sabe.  Ainda. Quer saber? Foda-se
Comida: Como um trem desgovernado descendo uma ladeira com um terrorista a bordo.

Tenho a impressão de que nos últimos vinte e um anos a vida vem tentando me ensinar uma lição, eu porém,  estou com dificuldades de aprendizagem. 



domingo, 12 de agosto de 2012

Rotina

Estou atrasada. É domingo e é muito perigoso na rua no horário em que preciso sair para trabalhar. Chamo um táxi. Estou tremendo desde ontem de tarde. Faz uma semana que parei de tomar calmantes e inibidores de apetite. Resolve tomar o inibidor e ver se a tremedeira passa. Não passo. Chego no trabalho. Atrasada. Entre um produto e outro, quase quebro o cartão de crédito de um cliente quando meus dedos se contraem involuntariamente e bruscamente. Aquele monte de pessoas me deixa nauseada. Detesto aglomerações, detesto que me observem, detesto que me perguntem coisas.
12h:00min intervalo. O tremor continua e resolvo comer no restaurante ao invés de usufruir da minha barrinha de cereal. Alguém comenta algo sobre dia dos pais e eu lembro da minha mãe e de como sou uma filha imperfeita e de como isso dói. Enquanto me dirijo ao restaurante vejo meu reflexo nas portas de vidro. Sinto nojo. Entro no restaurante e sinto que estou sendo julgada a cada porção de qualquer coisa que coloco no prato. Queria dizer que eu preciso. Salada de batata -glicose- feijão-ferro-beterraba-glicose/ferro/betacaroteno-frango-proteína-coca-cola-sódio/potássio/glicose
Quando levanto para pagar a conta sinto vergonha de mim mesma. Fraca. Observo minhas pernas refletidas em um canto qualquer. Quero tirar esse excesso de banha fora.. Observo um avião decolar. Quero ir embora daqui. Recomeçar. Excluir redes sociais e começar uma vida nova, mantendo apenas esse blog, como um refúgio. Curitiba. Londres. Paris. Dublin. Qualquer lugar onde não houvessem parentes e onde não fosse verão nem inverno o ano inteiro.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Vidro quebrado


O mês era maio. Conflitos internos, problemas em casa e falta de vontade. Foram duas horas a mais conversando. Conversa séria e conversa fiada.

Ele -Poxa, mas está tão ruim assim ir pra casa?
Ela -Pois é...
Ele -Sei como é. Eu poderia pegar o trem e o T2 e chegar em casa em 30 minutos. Mas pego o T5 que fica fazendo voltas e demora uma hora mais ou menos.

E a partir de então as conversas se tornaram frequentes. Talvez eu não devesse ter dado continuidade, talvez eu não devesse ter criado coragem, talvez eu não devesse ter me exposto. Talvez eu não estivesse com o coração partido.
Talvez eu devesse ter acreditado quando a amiga que parecia muito revoltada com a vida disse que aquela menina não prestava e que não gostava de mim nem de ninguém. Talvez eu o devesse ter contrariado  quando ele disse que não, ela não era perigosa, só era burra e facilmente manipulável.

Agora ele foi embora e eu não sei o que ela falou de mim que fez ele agir de modo diferente comigo e me ignorar.  E tudo que havia sido combinado se desfez.

Não sei reagir. Novo número de telefone não foi passado para ele, e eu realmente não sei e não nasci pra correr atrás de uma pessoa que age friamente comigo. Quanto à bela bisca que além de ter falado alguma mentira à meu respeito para ele me queimou no lugar onde trabalho... bem, ela terá algumas surpresas.



terça-feira, 7 de agosto de 2012

?

A sutileza das sensações inúteis,  
    As paixões violentas por coisa nenhuma,  
    Os amores intensos por o suposto em alguém,   
    Essas coisas todas —  
    Essas e o que falta nelas eternamente —;  
    Tudo isso faz um cansaço,  
    Este cansaço,  
    Cansaço. 

Trecho do poema "O Que Há", de Fernando Pessoa como Álvaro de Campos.





domingo, 5 de agosto de 2012

Sobre a morte da Scarlett


Scarlett, obviamente apelido de uma menina que tinha um objetivo na vida: Ser magra.
Hoje ela está morta, em consequência de seu sonho. Atingiu seu objetivo. Está leve, em breve não existirá sequer um grama de gordura em seu corpo, que com certeza era bonito.
Dói. Sabe o motivo? Scarlett foi só mais uma vítima.
Há três anos, algumas pessoas que acompanham este blog ficaram bravas comigo  quando eu disse que jamais conseguiria me referir à bulimia novamente com um apelido carinhoso, a “mia”. Assim como achava que meninas com anorexia não deveriam chamar sua detentora doença como se fosse uma amiga, dizendo que a “ana” lhes dava forças. Achava não, acho. Tenho certeza.
A bulimia só devastou a minha vida, e eu ainda vivo as sequelas disso. Um engorda-emagrece sem fim. Uma obsessão sem limites. Uma adolescência perdida. Baldes escondidos no quarto, tonturas frequentes, convulsões por perda de nutrientes e eletrólitos,  flora intestinal destruída, gastrite, antidepressivos aos quinze anos, lágrimas de pessoas queridas.
Scarlett teve uma briga feia com o pai? Sim, isso foi coadjuvante no ato dela. Mas basta ver as postagens... ela (e talvez quantas de nós?) estava sendo destruída por essa droga de transtorno.

Estou lutando, não quero ser vencida por essa doença. Na última semana resisti à vontade de ir até o banheiro e resolver meus excessos vomitando junto com a comida a minha raiva e a minha dor. Resisti duas vezes, em dias diferentes. Não consigo mais escrever sobre isso. Não agora.

Descanse em paz Scarlett.


http://www.apenasmarcy.blogspot.com.br/2009/04/caren-carpenter.html - Postagem de 2009.Eu bem que poderia editar e colocar corretamente Karen Carpenter, e não Caren. Mas está lá, está feito, como a comida no meu estômago depois de uma compulsão. Estou cansada de editar erros, não tanto os ortográficos, mas mais os da vida.