sábado, 13 de abril de 2013

A paz de uma caixinha de música



Às vezes fico por vááários minutos dando corda na caixinha de música, ouvindo aquele som suave, pensando em nada. Perco a noção do tempo. Consigo alguns minutos de paz. Vez ou outra uma lágrima escorre pelo meu rosto, não sei exatamente a razão.


Quando eu era criança havia uma outra caixinha de música. Eu era a criança mais empolgada da face da Terra. Cheia de energia, imaginação, ousadia. Mas havia aquela caixinha de música, e sempre que ela começava a tocar, eu chorava. Não sei exatamente a razão. Aquela bailarina que dançava enquanto a música tocava me dava uma sensação de tristeza. As pessoas achavam estranho, e a caixinha de música foi-se embora.

Pode parecer tristeza, depressão, fadiga, mas não é. Preciso desse momento off, desse não ter compromissos, desses pijamas 24 horas por dia. Preciso disso, porque embora não pareça, estou me colocando em ordem, enquanto descanso da correria do mundo lá fora.




"Tenho assim… aquela coisa… como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual? (…) Esperança!"
Caio Fernando Abreu

domingo, 7 de abril de 2013

Self-Pity


Auto-piedade. Não sei se está escrito de maneira correta com tanto desacordo ortográfico por aí. Acho que no final do texto o título se explica.

Passei as duas piores semanas da minha vida. Nos últimos três anos eu vinha tomando uma série de remédios controlados, todos sem prescrição, sem acompanhamento. Afinal, a gente sempre conhece alguém com acesso a esse tipo de coisa, e se não conhecemos alguém, acabamos conhecendo alguém que conhece alguém, e assim tu consegue uns tarja preta por um precinho um pouco mais alto.
Depois da minha convulsão não aguentei o tranco. Fiquei fraca e decidi parar com os remédios. Decidi pedir ajuda. Os remédios se foram. Pedi demissão.  No começo era mais um estranhamento, minha irmã esteve aqui por alguns dias e aquilo de certa forma ajudou a aliviar o tranco. Mas na última segunda-feira ela foi embora e aí eu me peguei comigo mesma, e o estranhamento do começo virou uma ansiedade sem fim, e eu entrei naquela fase onde qualquer viciado começa a comer desesperadamente e sentir pena de si mesmo. A bermuda que eu usei há um mês  ficou apertada. Precisava de uma bebida. Com muito esforço fui com a minha mãe até o mercado, e quando ela já estava na fila, discretamente coloquei dois latões no meio das compras. Bebi cerca de 100 ml, e meu estômago, cheio de comida e laxante, não aguentou mais. Peguei no sono. Acordei no sofá, já era dia claro. Eu havia ficado dois dias sem conectar a internet e com o celular desligado. Um filme e outro me pescava para fora da realidade, e eu me sentia uma baleia gigantesca atirada no sofá.


Abri uma conversa de uns dias atrás com uma amiga no Facebook. E o que eu vi lá? Uma pessoa se fazendo de fraca, lamentando, transbordando lágrimas, arrependimentos e auto-piedade.  Pensei que eu já havia sido mais forte do que isso. Na realidade, eu sou, só não sei... por onde começar.
Esse processo de desintoxicação está sendo horrível, e sinceramente, já me questionei se vale tudo isso, já pensei em pegar minhas economias e procurar aquele alguém, ou aquele alguém que conhece alguém, mas sempre procuro lembrar de quando eu vivia sem isso. Às vezes é difícil, parece que já se tornou parte de mim. Um comprimido ou dois ao acordar, nos dias mais tensos três e no final da noite um ansiolítico pra aliviar o tranco. Isso está no passado, mas um passado que mora aqui ao lado, e que eu sei que pode bater aqui na porta qualquer dia desses, todo sedutor, me convidando pra voltar aos velhos tempos.