domingo, 7 de abril de 2013

Self-Pity


Auto-piedade. Não sei se está escrito de maneira correta com tanto desacordo ortográfico por aí. Acho que no final do texto o título se explica.

Passei as duas piores semanas da minha vida. Nos últimos três anos eu vinha tomando uma série de remédios controlados, todos sem prescrição, sem acompanhamento. Afinal, a gente sempre conhece alguém com acesso a esse tipo de coisa, e se não conhecemos alguém, acabamos conhecendo alguém que conhece alguém, e assim tu consegue uns tarja preta por um precinho um pouco mais alto.
Depois da minha convulsão não aguentei o tranco. Fiquei fraca e decidi parar com os remédios. Decidi pedir ajuda. Os remédios se foram. Pedi demissão.  No começo era mais um estranhamento, minha irmã esteve aqui por alguns dias e aquilo de certa forma ajudou a aliviar o tranco. Mas na última segunda-feira ela foi embora e aí eu me peguei comigo mesma, e o estranhamento do começo virou uma ansiedade sem fim, e eu entrei naquela fase onde qualquer viciado começa a comer desesperadamente e sentir pena de si mesmo. A bermuda que eu usei há um mês  ficou apertada. Precisava de uma bebida. Com muito esforço fui com a minha mãe até o mercado, e quando ela já estava na fila, discretamente coloquei dois latões no meio das compras. Bebi cerca de 100 ml, e meu estômago, cheio de comida e laxante, não aguentou mais. Peguei no sono. Acordei no sofá, já era dia claro. Eu havia ficado dois dias sem conectar a internet e com o celular desligado. Um filme e outro me pescava para fora da realidade, e eu me sentia uma baleia gigantesca atirada no sofá.


Abri uma conversa de uns dias atrás com uma amiga no Facebook. E o que eu vi lá? Uma pessoa se fazendo de fraca, lamentando, transbordando lágrimas, arrependimentos e auto-piedade.  Pensei que eu já havia sido mais forte do que isso. Na realidade, eu sou, só não sei... por onde começar.
Esse processo de desintoxicação está sendo horrível, e sinceramente, já me questionei se vale tudo isso, já pensei em pegar minhas economias e procurar aquele alguém, ou aquele alguém que conhece alguém, mas sempre procuro lembrar de quando eu vivia sem isso. Às vezes é difícil, parece que já se tornou parte de mim. Um comprimido ou dois ao acordar, nos dias mais tensos três e no final da noite um ansiolítico pra aliviar o tranco. Isso está no passado, mas um passado que mora aqui ao lado, e que eu sei que pode bater aqui na porta qualquer dia desses, todo sedutor, me convidando pra voltar aos velhos tempos. 



6 comentários:

Janna disse...

Ô Marcy, você faz muita falta por aqui *o*
Que bom que deu notícias.
Enfim, sei bem como é esse sentimento de comiseração por si e por toda a situação em que nos colocamos...
E te digo, tbm me sinto afundada em mim mesma :(
Mas de uma coisa eu tenho certeza, estamos na direção certa. Tentar mudar, tentar seguir em frente e mesmo com vontade de desistir, continuar... É assim que chegaremos num lugar melhor.
Nem falo mais em objetivos. Aprendi com a vida que quanto mais faço planos, mais ela me mostra que tudo pode ser o oposto.
Enfim.. Tô aqui, se precisar de mim.
Cheirinho, minha linda.

A Noiva Cadáver disse...

No meu caso eu preciso voltar aos velhos tempos pois acredito que estou a ponto de explodir.
É bom retornar e ler seus textos tão bem escritos.
Um abraço querida, e tenhas força.

(●•Lia•●) disse...

Isto é verdade... sempre se encontra "alguém" e é bem sedutor o que nos oferece conforto imediato. Paramos e pensamos, pq parar agora? Isto tá me matando mais do que antes do quando fazia uso dos remédios! E a vontade, o desespero e a anciedade nos consome aos poucos, e imaginamos que não vamos nunca, nunca mesmo consegui levar a frente o que queremos de melhor para nós!

Marcy minha linda, não é fácil, não viu. Mas sem prescrição médica, vc já sabe disso, é pior ainda. Eu com os meus com prescrição médica, tenho vontade de larga... e estou com ajuda médica tentando diminuir, mais é muitíssimo complicado. Mas eu quero e posso vencer isto.

Vc também pode amiga, sei que não pe fácil, em momento algum, que a vontade é retornar tudo novamente, e deixar a vida nos levar. Mas não podemos, temos que ser mais forte ainda do que somos, e isto implica determinação... e aguentar as crises, viu? Pois as crises é f*da! É commo nos jogasse no fundo do posso, e não tivesse a "tal mola" para nos impulsonar para cima. É complicado sozinha, mas assim como vc entrou, pode sim sair. Mas uma coisa eu digo, pare agora, enquanto não chegou aos 25 anos, pois é bem mais fácil, é bem menos complicado.

Do fundo do coração, espero que consiga vencer estar batalha. Pois não é fácil esta fase, mas também não é impossível. Vc pode até pensar: "É fácil escrever, quando não se passa pela mesma situação!" Amiga, te digo, eu não estou muito longe de ti não. Tento há anos livrar-me de vários remédios, que no inicio era somente um alivio, hoje é uma moleta, e me vejo, com vários horários no despertor do celular, para não errar os horários, e o pior que agora, a dependencia de uns, fizeram ter que tomar outros, com precrisão médicas devidos a abstinecia de alguns.
É horrível esta situação.

Um enOrme abraço.
Venha mais aqui nos contar, toda situação... assim poderemos pelos menos conforta-la em palavras.

Beijos, Lia, que gosta muito de ti!

Camila, Camila disse...

vai lá, um passo de cada vez... e quando vê tudo de ruim vira passado. acredite! :)

Mariana disse...

Bem, eu havia escrito outro comentário, mas terminei desistindo de publicá-lo, Marcy. Por algum motivo, achei que minha preocupação poderia lhe soar severa, quase ríspida. E tudo o que eu não quero é passar algo assim para você. Porque gosto demais de você. E esse gostar não é sem fundamento, nem da boca para fora.
Ao longo dos últimos anos, conheci muitas meninas com TA. E, sim, eu sinto uma falta terrível de todas elas, mas apaziguei meu coração por entender que a cura é mais importante. Para mim e para elas. Ainda que isso implique em uma distância verdadeira em função da mudança de foco e objetivos.
Eu aprendi a gostar de muitas dessas meninas, porque formei uma imagem delas pelo que escreviam e por como o faziam.
Não é diferente com você, Marcy.
Tudo o que venho acompanhando no seu blog é uma garota de coração grandioso com impedimentos proporcionalmente grandes. Entretanto, esteja ciente de que os cortes, os vômitos, os laxantes, a fome e os comprimidos não são nada em comparação a uma vida realmente plena. É o que diz quem se recuperou. Eu acredito. E eu busco apesar das quedas. Espero que, sob essa perspectiva, você não ceda à suposta sedução que foi o seu passado.
Estou feliz que tenha pedido ajuda.
A autocomiseração não vai passar de uma hora para outra, eu penso. Mas você deve ser forte o suficiente para afastá-la. A mesma firmeza que você possui para depreciar-se, use-a para o processo inverso. Além disso, desabafar não faz de você, necessariamente, uma pessoa fraca. O que te faz fraca é falar de arrependimentos passados e continuar cometendo, indiscriminadamente, os mesmos erros que a levaram a arrepender-se.
Tenha paciência, Marcy, e lembre-se de que, como disse a Camila, é um passo de cada vez...
Uma respiração... um passo... e um comportamento diferente daquele dos velhos tempos...

Espero que você melhore. É bom entrar aqui e sentir vontade de melhorar também. Porque eu também preciso melhorar. Porque estamos no mesmo barco.

Cuide-se. Senti sua falta, por isso devo ter falado tanto...
=**

Mariana disse...

Onde se lê "implique em uma distância", leia-se "implique uma distância".

Rezarei por nós duas.

=**