terça-feira, 31 de março de 2015

Medos, arrependimentos e juramentos

Eu estou com medo.
Do estado de saúde da minha mãe.
Do fato de não conseguir demonstrar todo amor que sinto por ela.
Do que será de mim se ela for embora.
Eu não quero que ela vá.
Ela tem que ficar comigo. E bem. Por pelo menos mais 20 anos.

Voltei a me cortar. Isso alivia um pouco as crises de choro, por incrível que pareça. E quanto mais eu me corto, mais sinto vontade de me cortar. E quanto mais eu penso, mais eu imagino em como seria a morte ideal, sem falhas ou prorrogações. Mas não com a minha mãe por aqui. Ela é minha esperança, meu alicerce, minha âncora e precisa de mim.
Por isso os cortes são em locais escondidos, pra ela não ver e acabar se magoando.

Acabei de comentar com um precioso amigo no Facebook que, se a minha nano-família sobreviver, serei uma pessoa melhor. Foi um juramento.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Isso é a vida?

Gurias, vocês são criaturas mágicas, com o poder de consolar um coração quebrado inundado de lágrimas que caíram de um rosto em desespero.
As lágrimas continuam caindo, o coração continua quebrado, mas o carinho de vocês e dos amigos em geral tem sido MUITO importante.

Tem dias que parece que não vai dar mais, sabe? Dó a alma, o corpo. Eu só quero que a minha mãe fique bem, que a justiça seja feita com o homem que fez mal com a minha irmã e tentou fazer comigo.
Também preciso de um emprego onde eu não me sinta um lixo, tenha horários (mais ou menos) fixos e não precise receber nem lidar com um determinado banco que quer penhorar minha alma.

O resto se tornou secundário...

É triste ver que meus parentes, assim como aqui dentro de casa, pensam que quem tem que sentir vergonha são as vítimas abusadas ou estupradas, enquanto o abusador deve ser punido apenas sendo excluído da ~família~.


sábado, 21 de março de 2015

Acontecimentos

Aconteceram tantas, mas tantas coisas, que não deve caber em um post só, mas como vivo tentando coisas que não cabem, vou tentar resumir.

Perdi a conta de quantas vezes minha mãe já foi e voltou do hospital. Hoje ela está em casa. No dia antes de anteontem (ante-anteontem?) ela fez a terceira transfusão de sangue desde Fevereiro. Anemia severa, por motivos desconhecidos. Acharam que havia um sangramento, reviraram ela por todos os lados e nada de sangramento. Agora ela vai ter que fazer um medulograma, ou seja, a biópsia da medula pra ver se existe algum problema ali. Só resta aguardar e torcer para que a hemoglobina não baixe muito outra vez nesse meio tempo entre a biópsia da medula e a consulta dia 1º (SUS, galera).

No meio disso tudo, trabalhei. Trabalhei até não sentir mais os joelhos. Trabalhei, em alguns dias, por 13 horas seguidas. Trabalhei tendo que carregar coisas super pesadas por uma escada por ser a funcionária mais ~forte~ da loja. Mas bato na tecla de que gordura não é sinal de força. Gordofobia nossa de cada dia. Até que, na semana passada, depois de trabalhar por 10 horas, minha mãe teve que ir para a emergência do hospital sozinha, passando mal, e eu só consegui ir ver ela depois do trabalho. Foi meu antepenúltimo dia lá.

Antes disso, em meados de Fevereiro, uma tia achou que deveria saber mais sobre o estado da minha mãe do que eu, e ficar mais com ela do que eu. Tivemos uma discussão por telefone, e ela se sentiu no direito de me esperar na porta do hospital, no fim do horário de visitas, para me agredir física e verbalmente. Puta, monstro, cadela no cio, tu foi cuspida não parida, tu tortura a tua mãe, sua vagabunda, vou entrar com uma ação pra te proibir de ver a tua mãe. Com os braços roxos liguei para a Camila que me acompanhou em uma delegacia, onde meus hematomas foram registrados como "arranhões" por uma policial que parecia estar com mais pressa do que vontade, mas ao menos registrei a falsa acusação de ser uma torturadora, e todo o resto.

Há duas semanas, minha irmã de criação, a B., foi embora do interior com o namorado que mora em uma cidade aqui ao lado de Porto Alegre, e ela me contou, sem que eu jamais tivesse desconfiado, uma história que aconteceu com ela, mostrando que partilhamos uma mesma experiência dolorosa.

E é assim que anda a minha vida. Venho tentando ter fé, força, essas coisas, mas não sei quando disso é uma farsa para mim mesma ou quanto disso é real.