quarta-feira, 20 de maio de 2015

She's Lost Control (Again)

A volta do meu genitor estragou tudo. Minha mãe está muito lentamente, mas muito mesmo, se recuperando da anemia após várias transfusões de sangue e muito suplemento oral e injetável. Aí ele chega. No primeiro dia com medo, depois, passou a agir como se nada tivesse acontecido e mandou uma direta pra minha mãe que me deu nojo. Sabe o tipo de cara que anda por aí que nem louco e quer ter uma mulher em cada cidade que vai? Pois é.
Eu estava indo bem com meu corpo e meu processo de aceitação, feliz, sim, ouso dizer feliz pela melhora da minha mãe nos exames e aí ele chega. As compulsões voltaram num nível 2008, quando eu comia nata direto do pote. E isso, minhas caras e meus caros, tem começado a destruir meu processo de aceitação. Não vou detalhar aqui o que andei comendo porque é agressivo e nojento demais. Minha mãe veio dizer que estava preocupada comigo, perguntou se eu estava tentando me suicidar comendo até meu corpo não aguentar mais. Disse que não, mas pensando bem, não sei a resposta.

Comecei a assistir My Mad Fat Diary e estou prestes a assistir o último capítulo da segunda temporada. A série gira em torno de uma garota obesa, seus amigos, seus dilemas, sua mãe doida, etc. Tem horas que eu me identifico tanto com ela (quando ela faz merda) que me dá uma raiva tão grande... e tem horas que me identifico com a ~melhor amiga dela~, Chloe, tirando o fator beleza magra. Também quando ela faz besteiras... seria eu uma besteira.

E pra finalizar, olhei o celular da minha mãe.
No dia das mães desejei feliz aniversário à ela. Ela respondeu com um "obrigada".
Minha prima (que eu costumo dizer que é uma das filhas que ela nunca teve) mandou uma mensagem pra ela e ela respondeu algo do tipo "Obrigada por lembrar de mim, eu te amo.", e isso doeu mais que muita coisa tem doído ultimamente.

Já tomei Rivotril o suficiente por hoje, quisera eu ter uma droga mais pesada, me resta preparar um chá de hortelã com alecrim mesmo.


domingo, 17 de maio de 2015

Virando uma página. Ou mudando o livro?


Virar uma página não é fácil, ainda mais quando se tem que enfrentar uma crise familiar, pessoal e profissional ao mesmo tempo. Talvez esse seja o grande sinal de que está mais do que na hora de recomeçar. Eu poderia escrever recomeçar pra valer, mas isso não existe. Durante mais de dez anos fiz coisas tão horríveis com meu corpo, em busca de um padrão que me foi mostrado, pra evitar os sermões das minhas tias sobre como era feio e não-saudável ser uma guria gorda. E quanto eu me machuquei por conta disso. Me machuquei em todos os sentidos.

Machuquei todo o meu sistema digestivo com anos de laxantes e vômitos induzidos. Machuquei meu sistema nervoso tomando remédios controlados para emagrecer, que me levaram aos calmantes. Aos 13 anos, com 103kgs um médico me receitou ANFEPRAMONA, combinada com diurético e 2,5mg de Diazepam 2x por dia. Foi um médico que receitou. Tomei aquilo por meses, emagreci um monte (preciso dizer que depois engordei?).... e isso já fazem dez anos. No meio disso outros médicos me receitaram antidepressivos que desencadearam convulsões, antidepressivos que trouxeram compulsões... entre tantas coisas. É obvio que meu cérebro já está calejado com remédios e dificilmente um medicamento em dose normal vai me dar o resultado desejado. Talvez eu precise de uma desintoxicação, mas da última vez em que tentei parar com tudo, inclusive o calmante anticonvulsivo que tomo, tive duas convulsões, então tenho um medo absurdo. 
Machuquei minha pele incontáveis vezes com cortes que variam entre superficial e profundo (não o suficiente).
Machuquei todas as pessoas que me amavam/amam por me verem passar por tudo aquilo.

Cansei e não quero mais me machucar, nem machucar ninguém. Mas é uma página que está recém-virada, e às vezes um escritor não sabe como começar uma nova história, mas ele não desistirá. Eu não vou desistir. Por mim, pela minha mãe, por qualquer pessoa que goste de mim.

terça-feira, 5 de maio de 2015

"Nova Fase"


Então é isso... acabou a busca pela magreza, pelo padrão, por essa coisa toda. O blog não acabou, apenas vai continuar no sentido que vinha nos últimos tempos... coisas da vida, de sentimento, de aceitação, e a busca por essa tal aceitação.
Não tenho motivos para deixar de visitar amigas que querem e estão no seu direito de vestir manequim 38/36, que tem seus blogs voltados para dietas. Pra quê? Algumas relações que apesar de virtuais, tem anos. Outras são recentes.
Apenas, e tão somente apenas me sinto no direito de deixar frequentar blogs que usam fotos de pessoas gordas para inferiorizar as mesmas ou simplesmente para se satisfazer.
Somos livres, portanto, minhas escolhas são essas.

Se eu vou me atirar em um pote de sorvete, com calda, chantilly, salgadinhos e refrigerante sem parar? Lógico que não. Preciso de saúde para cuidar de quem eu amo e conseguir fazer minhas tarefas básicas do dia. Quero praticar exercícios, subir uma lomba sem quase morrer e quero que meus exames de sangue continuem ok, como estavam no ano passado.

Quem quiser deixar de gostar/seguir/visitar a Marcy gorda/ex-pro-isso pode deixar de fazer, e quem quiser continuar, vem nessa barca com a gente que a vida continuam, os problemas seguem e com eles cada vitória também vai vir.

Agora me digam, quando posso começar a reclamar do frio que está fazendo em Porto Alegre?!