quinta-feira, 11 de agosto de 2016

No Title


Hoje é aniversário da minha mãe e não tenho nenhum presente. Ao contrário. Ela disse que vai atrás de um psiquiatra pra mim, por conta da última crise que eu tive estou tendo.
A cada dia que passa eu me importo menos... menos com a morte, com a vida. Eu só penso em ir pra junto da minha avó amada, deixar minha mãe em paz, ela precisa de paz.
Nem meus amigos suportam mais minhas crises.

Posso vos contar um segredo? Tenho uma amiga que consegue uns remédios pra mim, tenho o suficiente pra acabar com tudo. Mas tenho medo, e não é da morte, é de alguém me achar em tempo, me socorrer e eu ficar com alguma sequela. 

Mas é isso, não sei mais por quanto tempo aguento. 

5 comentários:

Senhora Psicótica disse...

É muito doloroso ler algo assim, principalmente para mim que já estive em situação paredida.
Marcy, acredite, se por acaso você resolver partir saiba que a última coisa que sua mãe terá é paz.
Essa sua "amiga" que disse conseguir uns remédios sabe para qual finalidade você os está pedindo? Se a resposta for sim, ela esta cometendo um crime se te der esses remédios.
Eu não sei se você acredita em Deus, mas devo lhe dizer que existe um Deus que realmente ama à todos nós. Pode parecer conversa de crente fanático, mas Deus é real!
Repense suas ideias, você tem sim bons motivos para continuar a viver. És ainda muito jovem para dizer que não consegue mais.
Procure alguma coisa que goste de fazer como por exemplo, ler um bom livro, sair por aí fotografando o céu, ver um bom filme, escrever uma história. São muitas as opções, não permita que a depressão te leve embora Marcy.
Querida, você é muito importante!

Deixo aqui um sincero abraço, e espero que você consiga se reerguer.

Coca ♥ Zero disse...

Nao faca isso amiga, as coisas vao melhorar!!!!!

Mariana disse...

Marcy, em primeiro lugar, feliz aniversário atrasado. Há poucos dias vi sua resposta ao meu e-mail. E eu nem sabia que havias voltado a postar.
Em segundo lugar, por mais que sua mãe possa estar preocupada ou por mais que você acredite que a desgoste, você é o melhor presente dela hoje. E, provavelmente, nada a terá feito mais feliz que um beijo caloroso que você troque com ela e algumas palavras de felicitação nesta data.
Vendo seus últimos posts, posso ver o quanto você está deprimida e o quanto a morte tem-lhe sido um atrativo. Olha, pare alguns minutos e pense com delicadeza (e com lucidez, se possível, já que há tanta dor obscurecendo tudo) sobre um pós morte: Como estará sua mãe em um enterro seu? E também as outras pessoas que se importam com você (embora você possa, nesse momento, achar que não há quem se importe)? E sobre as realizações e sonhos que somente a tú pertencem? Vão apenas escorrer por entre seus dedos? Você vai permitir que tudo resvale em uma sepultura? Morrer, considerando tanto assim, é mesmo sua única saída?
Por que não tentar um recomeço? Por que não pedir ajuda mais uma vez? Marcy, peça ajuda. Sempre. E tente parar de se importar sim, mas não com tudo. Importe-se cada vez menos é com as coisas que deram errado. Deixe de se importar com quem parece ter cansado de você. Deixe de se importar com o que você não conseguiu ainda, porque há ainda tempo para tudo isso. (Muito tempo, diga-se de passagem). Há tempo para tudo o que você ainda pode e vai construir em sua história. Importe-se em recomeçar. Todos os dias. Se você acredita que tudo está fora de ordem em tua vida profissional, ou com alguns amigos, com os sonhos... Tudo isso pode ser renovado. A única coisa que não o pode é a própria vida.
Digo essas coisas com a propriedade de quem olha para a morte, quase que diariamente, com o mesmo olhar que você detém para com ela agora, com o mesmo apreço. (E a cada dia eu combato a mim mesma dizendo que ainda não é a hora de morrer, mesmo vendo oportunidades em todas as ocasiões).
Certa vez eu vi alguém escrever: “Eu quero me matar, mas eu não quero morrer. Acredite ou não, são duas coisas muito diferentes”. Olho para você e presumo que, na profundeza do seu íntimo, é exatamente disso que se trata. Então, penso que a verdade é que a melhor saída é viver. E a única também. Essas sombras vão passar. Peça ajuda. Considere o amor que tanto tem por sua mãe que é de tal forma a ponto de você não querer dar-lhe a maior dor do mundo -a de perder você e se culpar pelo resto da vida. Segure-se por ela (como disse ter feito até aqui). Mais do que isso, procure as razões que podem mantê-la viva além dessa. Veja que, recentemente, descobriu o gosto pela gastronomia, permita-se descobrir mais ficando viva. Na simplicidade dessas descobertas você pode encontrar um modo suave de lidar com a dor, ao invés da compulsão, da automutilação, dos remédios e, sobretudo, da idéia fixa e perigosa de morte. Pense nisso. Pense sobre mudar suas percepções. Desculpe ter falado tanto e talvez ter soado inútil ou infeliz em algo que eu tenha dito. Não desiste, tudo bem? Fique com Deus e lembre-se de que você faz parte de tudo ao teu redor, de modo que tua vida não é apenas tua.
Deixo-te uma sugestão: Assista ao filme as faces de Helen.
=**

Tchau gordura disse...

Fique forte .
Levante se de novo e vamos pra guerra.
Nunca desista
Bjos

Ana Alves disse...

Oi, Marcy!
Não sei se já cheguei tão perto da morte assim. Mas quando esses pensamentos me vem, eu penso na minha família, sabe? Minha avó, minha mãe, meu sobrinho pequeno... E alguma coisa sussurra no fundo da minha mente que se eu morrer minha mãe vai poder finalmente descansar, vai poder parar de se preocupar comigo, que se eu morrer vai ser melhor pra todo mundo. Mas eu sei que não é verdade, e basta um instante de lucidez pra eu saber que, não importa como seja,como eu me sinta, como esteja, com certeza minha família prefere me ter por perto. Enquanto eu estou viva ainda posso lutar, as coisas ainda tem saída, tudo pode melhorar. E bem, eu espero que você consiga enxergar as coisas por esse lado. Como a Senhora P. disse acima, se você morrer, paz será a última coisa que sua mãe terá.
Sei que dói demais. Sei que a depressão, a culpa, o medo, a angústia, tudo isso dói demais. Mas eu realmente acredito que tudo isso pode ser vencido, é por isso que ainda estou aqui. E quero que você permaneça também.
Agarra-se com todas as forças a qualquer ajuda que vier. Dê-me suas mãos, porque apesar da distância física, nós estamos unidas.
Você é especial, é linda, é adorável! E eu espero que você viva muito! Não apenas para realizar grandes coisas, mas para sorrir com todos os pequenos detalhes da vida. Para apreciar uma manhã bonita de inverno, para sentir o cheiro do café recém-feito, para dar boas gargalhadas, para ler bons livros, ouvir boas músicas, para amar e ser amada!
Um abraço bem forte pra ti, Marcy! Cheio de calor, luz, esperança.
Erga-se, você pode!